Durante 12 anos, fiz as compras do meu vizinho de 84 anos todos os domingos. Depois do funeral dele, o advogado me entregou uma mala surrada, e o que havia dentro me fez tremer as mãos.

Assenti com a cabeça.

“Sou o Sr. Whitman. Eu era o advogado de Ezra.”

Ele ergueu a outra mão e vi o que carregava. Era uma mala velha e surrada, o couro desbotado nos cantos e os zíperes gastos pelo tempo.

“O Sr. Harrison me deu instruções específicas para entregar isto ao senhor”, disse o Sr. Whitman. “Suas palavras foram muito claras. Tinha que ser algo particular e só para o senhor.”

Peguei a mala com cuidado. Era mais pesada do que eu esperava.

“Ele disse o que tem dentro?”

“Ele disse que o senhor entenderia quando abrisse.”

Antes que eu pudesse perguntar qualquer outra coisa, senti alguém se aproximando ao meu lado.

“O que é isso?”

Marcus atravessou o estacionamento rapidamente, seu tédio anterior substituído por algo mais intenso.

“Seja o que for, pertence à propriedade”, insistiu Marcus.

O Sr. Whitman não se intimidou.

“Na verdade, não, Marcus. As instruções do seu tio foram específicas e autenticadas. Este item foi retirado do espólio há anos.”

“Anos atrás?” perguntou Marcus, com firmeza. “Estavam mexendo nele! Essa mala fica!”

“Não”, disse o advogado, impassivelmente. “E se tiver alguma preocupação, pode apresentá-la por escrito.”

O sobrinho de Ezra se virou para mim, e algo desagradável brilhou em seus olhos.

“Seja lá o que estiver aí dentro, eu vou descobrir. Não se acomode muito!”

Apertei a mala com mais força e passei por ele sem dizer uma palavra.

No carro, coloquei-a no banco do passageiro e fiquei sentado ali por um tempo, com as mãos no volante. Meu peito doía de um jeito que eu não conseguia explicar.

Liguei o motor. O que quer que Ezra tivesse me deixado, eu precisava descobrir.

Levei a mala para casa, confuso e tomado pela dor.

Coloquei a mala sobre a mesa da cozinha e fiquei olhando para ela por um minuto inteiro.

Claire, que não pôde comparecer ao funeral por causa do trabalho, estava parada na porta com os braços cruzados, me observando em silêncio.

“Abra”, disse ela.

Os fechos se abriram com um clique.

Dentro não havia dinheiro nem ouro, apenas uma pilha grossa de envelopes, dois álbuns de fotos e um diário de couro gasto.

Peguei a carta de cima. Estava escrita com a letra de Ezra e datada de doze anos antes, do domingo em que tomamos nosso primeiro café juntos.

Depois disso, havia uma para cada domingo. Centenas delas. Mas ele nunca enviou nenhuma.

Veja o resto na próxima página.

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