E na manhã seguinte, mesmo quando a culpa se tornou incômoda, mesmo quando o medo retornou, mesmo quando Emma tinha todo o direito de duvidar de mim.
Ela gentilmente apoiou a cabeça no meu ombro.
Prendi a respiração por um segundo.
Então, encostei minha bochecha em seus cabelos.
Afastei-me da lareira, apenas para perceber que, no frio, eu não tinha mais nada pelo que viver.
Agora eu estava realmente pronto para ficar.
Epílogo: De Volta para Casa
Na manhã seguinte, cheguei às 6h15.
Emma já estava lá, enrolada em um cachecol azul, fingindo não olhar para as portas do elevador.
Quando me viu, ela não sorriu imediatamente.
Ela olhou para o café em sua mão.
Preto, com duas colheres de açúcar.
Seu pedido de sempre.
“Você se lembrou”, disse ela.
“Eu me lembro de tudo.”
Isso não era totalmente verdade.
Havia coisas que eu havia esquecido quando me convinha.
Como ela era corajosa.
Como a tristeza pode ser solitária quando apenas uma pessoa se dispõe a pronunciar seu nome.
O casamento não se prova nos momentos fáceis, mas sim nos momentos em que o medo se senta ao seu lado, à espreita.
Naquele dia, eu não lhe pedi perdão.
Sentei-me ao seu lado.
Segurei sua mão.
E quando a enfermeira a chamou, permaneci ao seu lado.
Não como um herói.