Quando Compton insistiu, perguntando se podia revistar a propriedade, os três filhos se aproximaram, formando uma silenciosa muralha de músculos e ameaça. Eliza repetiu a recusa com um leve sorriso que não chegava aos olhos. “A lei exige um mandado para esse tipo de busca”, lembrou-lhe, e sem provas de qualquer crime, ele não tinha motivos para solicitá-lo.
Ela estava certa, e ambos sabiam disso. Compton deixou a colina naquele dia com a crescente convicção de que o mal espreitava naquela clareira, mas a convicção não era prova suficiente. A mata fechada que cercava a propriedade dos Goyne se estendia por quilômetros em todas as direções, milhares de hectares de floresta, ravinas e cavernas, onde um corpo poderia permanecer intocado por séculos.
Ele não tinha testemunhas, nenhuma prova física e uma comunidade que parecia mais interessada em esquecer os desaparecidos do que em descobrir o que lhes havia acontecido. A investigação estagnou, e depois estagnou novamente, tornando-se mais um dos muitos casos não resolvidos que assombraram o xerife idoso por anos.
Ele guardava o arquivo em sua mesa, relendo-o periodicamente, na esperança de uma descoberta que nunca chegaria, ou assim pensava, até a primavera de 1912. Em abril de 1912, um vendedor ambulante chamado Edmund Pierce partiu de Richmond com uma carroça carregada de ferramentas agrícolas e utensílios domésticos, iniciando sua habitual viagem de primavera pelas comunidades montanhosas do sudoeste da Virgínia.
Pierce era bem conhecido em sua rota; um homem sociável de 42 anos que fazia a viagem há 15 anos. Era facilmente reconhecido por seu característico chapéu coco marrom, um presente de sua esposa, que usava em qualquer clima, e por seu jeito amigável que o tornava bem-vindo até mesmo nas fazendas mais remotas. Ele mantinha registros meticulosos de suas viagens e escrevia para sua esposa a cada poucos dias, de qualquer cidade que tivesse um correio.