Dois anos antes do casamento, eu estava sentada ao lado de uma cama de hospital que rangia a cada movimento.
O cheiro forte de desinfetante impregnava o ar. As luzes fluorescentes piscavam acima.
Robert segurava minha mão com uma força surpreendente.
Sessenta e três anos de vida. Quarenta e dois anos de casamento. Tudo reduzido àquele quarto frio.
O câncer o levara rapidamente — câncer de pâncreas. Silencioso, implacável. Quando você percebe, já é tarde demais.
Robert sempre fora um homem quieto e trabalhador. Todas as manhãs, às cinco, ele abria a fábrica de autopeças que havíamos construído juntos do zero.
Eu cuidava do escritório — a papelada, as contas, os fornecedores. Éramos sócios em tudo, mesmo que ninguém soubesse disso de verdade.
Para o mundo exterior, Robert era apenas um trabalhador comum.
Vivíamos de forma simples. Uma casa modesta em um bairro de classe média. Sem carros de luxo. Sem roupas de grife. Sem jantares extravagantes.
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