A porta da frente se abriu de repente.
Minha mãe saiu primeiro, ainda de chinelos, com o rosto inexpressivo de confusão. Chloe a seguiu, depois Julian e, por fim, meu pai, já irritado por não entender o que estava vendo.
“Clara”, disse minha mãe, “o que é isso?”
Miller não olhou para ela. “Escolta de um contratado do Departamento de Defesa. Extração autorizada.”
Julian franziu a testa. “Extração?”
Dei um passo à frente.
“Bom dia”, eu disse.
Chloe olhou para mim, depois para os veículos e de volta para mim. “O que você fez?”
“Fui buscada.”
Meu pai zombou. “Para quê? Um emprego de secretária?”
Sustentei seu olhar. “Parceria. A Vanguard adquiriu meu software ontem. Começo como CTO hoje à noite.”
Ninguém se mexeu.
A expressão de Julian mudou primeiro. Ele conhecia o nome. Sabia o que significava. Eu sabia exatamente o quão pequeno ele parecia parado naquela entrada de garagem.
“Vanguard”, ele repetiu. “Como Sterling.”
Miller assentiu uma vez. “Igual.”
Minha mãe levou a mão à garganta. Chloe prendeu a respiração por um segundo. Meu pai parecia ter perdido o chão debaixo dos pés.
“Você dormiu aqui fora”, disse minha mãe.
“Sim.”
“Você devia ter nos contado.”
Eu ri uma vez. “Vocês deviam ter perguntado.”
Miller colocou minha mala na caminhonete. Entrei sem dizer mais nada. A porta se fechou.
Enquanto nos afastávamos, eu os observava ficarem menores no retrovisor.
Ninguém seguiu o carro.
Ninguém pediu desculpas.
Ótimo.
Parte 4: Jantar
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