Parte 1
A menina de seis anos viu a mulher atrás do muro da escola pelo terceiro dia consecutivo… e desta vez, a estranha carregava a mesma boneca rosa que aparecia em uma fotografia antiga escondida no escritório do pai.
“Papai… ela está aqui de novo”, sussurrou Valentina Ibarra, encostando as costas no loureiro que sombreava o pátio da Escola Santa Catalina, em Guadalajara.
Do outro lado da linha, Santiago Ibarra parou de prestar atenção à reunião. Nem os sócios, nem os papéis, nem os milhões sobre a mesa importavam mais.
“A mesma mulher de ontem e anteontem?”, perguntou com uma calma assustadora.
“Sim. A mesma. Ela está usando um xale marrom… e carrega uma boneca rosa antiga.”
Santiago se levantou tão rápido que a cadeira arrastou no chão de mármore.
“Não se aproxime do muro. Não fale com ela. Fique onde está.”
Valentina mal espiou. A mulher estava parada na calçada, atrás das grades pretas. Ela não sorria. Não levantava a mão. Apenas a encarava com os olhos marejados, como se esperasse por aquele momento há anos.
A professora Elvira notou Valentina perto da árvore.
“Minha filha, o que você está fazendo aqui sozinha?”
“Estou ligando para o meu pai.”
Quando a professora atendeu o telefone, Santiago não perdeu tempo.
“Professora, olhe para a cerca. Me diga se tem uma mulher com uma boneca.”
O silêncio da professora foi resposta suficiente.
“Sim, Sr. Ibarra… ela está lá.”