A filha do bilionário só tem três meses de vida… até que a nova governanta descubra a verdade.

Luna mal falava. E o que ela disse não foi coincidência. Era como uma lembrança. Como um medo antigo.

Julia engoliu em seco, abaixando lentamente as fibras de madeira, e respondeu em voz baixa, escondendo a tempestade que fervilhava dentro dela:

“Tudo bem. Vamos parar por agora.”

Naquela noite, Julia não conseguiu dormir. Richard havia lhe contado que a mãe de Luna tinha morrido. Por que aquela palavra provocava uma emoção tão intensa? Por que Luna se enrijecia como se esperasse um grito? Nos dias seguintes, Julia percebeu certos padrões. Luna se assustava quando alguém passava atrás dela. Ela se enrijecia quando certas vozes ficavam mais altas. E, principalmente, parecia piorar depois de tomar certos medicamentos.

As respostas começaram a aparecer em um depósito.

Julia abriu um armário antigo e encontrou caixas com etiquetas desbotadas, frascos e ampolas com nomes desconhecidos. Alguns tinham etiquetas vermelhas de advertência. As datas eram antigas. E um nome continuava aparecendo:

Luna Wakefield.

Julia tirou fotos e passou a noite pesquisando cada medicamento como se não conseguisse respirar. O que ela descobriu a deixou gelada até os ossos.

Tratamentos experimentais. Efeitos colaterais graves. Ingredientes proibidos em alguns países.

Aquilo não era um tratamento médico prudente.

Era um mapa de perigos.

Julia pensou que o pequeno corpo de Luna estava recebendo doses destinadas a outra coisa. O medo cresceu… mas por baixo de tudo havia algo mais forte: uma raiva pura e protetora.

Ela não tinha contado a Richard. Ainda não.

Ela o viu sentado aos pés da cama de Luna como se sua vida dependesse disso. Mas Luna estava em perigo… e Luna confiava nela.

Julia começou a documentar tudo: horários, doses, reações. Ela observou a enfermeira. Comparou os frascos no banheiro com os da sala de armazenamento.

A pior parte era a fusão.

O que deveria ter sido abandonado ainda estava sendo usado.

A mansão pareceu funcionar de forma diferente no dia em que Richard entrou no quarto de Luna sem se despedir e a viu, pela primeira vez em meses, descansando em paz, encostada em Julia. Cansado e assustado, ele falou com mais aspereza do que pretendia.

“O que você está fazendo, Julia?”

Julia se levantou rapidamente, tentando explicar. Mas Richard, magoado e confuso, achou que tinha visto um limite ser ultrapassado.

Então Luna entrou em pânico.

Ela correu para Julia, agarrou-se a ela com força e gritou, com medo de que alguém implorasse por consolo:

“Mãe… não a deixe gritar.”

O silêncio que se seguiu não era o silêncio habitual da casa.

Foi uma revelação.

Richard ficou imóvel, percebendo pela primeira vez que sua filha não estava apenas doente.

Ela estava com medo.

E ela não estava correndo para ela.

Ela estava correndo para Julia.

Naquela noite, Richard se trancou em seu escritório e abriu o prontuário médico de Luna. Ele o leu linha por linha, lentamente, como um homem descobrindo que estava vivendo uma mentira.

Os nomes dos medicamentos. As dosagens. As recomendações.

Pela primeira vez, ele não viu esperança.

Ele viu uma ameaça.

No dia seguinte, ordenou a suspensão de parte da medicação. Quando a enfermeira perguntou o porquê, ele não respondeu. Julia também não obteve uma explicação.

Mas ela notou algo bom.

Luna parecia mais alerta. Comeu um pouco mais. Pediu para contar histórias. Sorriu ocasionalmente: sorrisos tímidos e frágeis que doíam porque significavam muito.

Julia sabia que não conseguiria mais suportar a verdade sozinha.

Pegou um frasco, escondeu-o com cuidado e, em seu dia de folga, visitou a Dra. Carla Evans, uma amiga que trabalhava em uma clínica particular. Carla a ouviu sem julgamentos e enviou a medicação para um laboratório.

Dois anos depois

Naquele dia, veio a ligação.

“Julia”, disse Carla com firmeza, “você tem razão. Isso não é para crianças. E a dose… é brutal.”

O relatório mencionava fadiga extrema, danos aos órgãos e inibição das funções normais. Não era um tratamento forte. Era perigoso.

O mesmo nome aparecia repetidamente nas receitas:

Dr. Atticus Morrow.

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