Parte 2
A segurança chegou antes que Dominic pudesse falar. Meu advogado também. Simone Grant entrou na sala vestindo um terno cinza-escuro, carregando uma pasta de couro, com a expressão de uma mulher que já havia vencido três discussões antes do café da manhã. Ela olhou para o smoking de Dominic, depois para o vestido de noiva de Celeste e, em seguida, para o bebê em meus braços.
“Bem”, disse Simone. “Essa é uma maneira de terminar uma recepção.” Dominic retrucou: “É privado.”
“Não”, respondeu Simone. “Isso está documentado.” Ela ergueu o celular. O olhar de Dominic se voltou para a tela. Ela estava gravando. Ele se virou para mim. “Evelyn, você está cometendo um erro.”
“Não”, eu disse. “Meu erro foi pensar que amar você significava protegê-la das consequências.” As mãos de Celeste tremiam contra a saia.
“Quais são as consequências?”, ela perguntou. Dominic a ignorou. De novo. Foi a primeira vez que quase senti pena dela. Não porque ela não tivesse contribuído para destruir meu casamento. Ela tinha. Mas eu estava começando a perceber que ela também não tinha sido escolhida por amor. Ela tinha sido escolhida por dinheiro. Simone colocou um pacote lacrado na mesa de cabeceira.
“Sr. Vale, notificamos o senhor.” Dominic olhou para o pacote.
“O que é?”
“Uma ordem judicial de emergência”, disse Simone. “Preservação de bens conjugais, ordem de proteção temporária por coação financeira, pedido de reabertura do processo de divórcio e notificação de evidências de fraude apresentadas ao Conselho de Fusões.” Celeste sussurrou: “O Conselho de Fusões?” Simone olhou para ela.
“O Conselho de Fusões do seu pai.” Celeste empalideceu. Dominic pegou o pacote e folheou as páginas.
“Isso é uma loucura.”