Um ano depois de me tirar o marido, minha ex-melhor amiga me enviou um convite.

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O chá de bebê foi na residência dos Rivera, em Lomas de Chapultepec, porque Mariana nunca aprendeu a ser discreta depois de descobrir o quão confortável era viver rodeada de mármore, motoristas particulares e sobrenomes caros.

Havia flores brancas na entrada, balões azul-royal flutuando sobre o terraço e uma mesa de doces com cupcakes decorados com pequenas coroas douradas. Em um canto, um grupo de violinistas tocava boleros suaves enquanto garçons serviam canapés e champanhe sem álcool para a futura mamãe.

De fora, parecia uma celebração perfeita.

De dentro, parecia uma mentira bem iluminada.

Cheguei vestida de preto.

Mariana me viu da sala principal e sorriu como se tivesse acabado de ganhar mais um troféu.

“Lorena”, disse ela em voz alta, acariciando a barriga. “Não pensei que você tivesse coragem de vir.”

“Você me convidou”, respondi.

Alejandro estava ao lado dela, impecavelmente vestido com um terno claro, a mão repousando na barriga de Mariana como se estivesse posando para a capa de uma revista. Ele me olhou com aquela compaixão fingida que costumava me fazer sentir pequena.

“Você está bonita”, disse ele.

“Você está maravilhoso”, respondi.

Seu sorriso vacilou por um instante.

Mariana caiu na gargalhada, um pouco alta demais.

“Falando sério, Lore, você deveria deixar o ressentimento de lado. A vida nos dá bênçãos diferentes.”

Ao redor deles, as tias, primas e esposas de empresários fingiam não ouvir, mas todas abaixaram o tom de voz.

A mãe de Alejandro, Dona Patrícia, estava sentada perto da lareira, usando um colar de pérolas e com a expressão de uma virgem ofendida. Dom Ernesto, seu pai, me observava de longe. Ele sabia quem eu era. Ele se lembrava de cada contrato que eu revisei, de cada auditoria que eu ocultei, de cada incêndio jurídico que eu apaguei para sua família.

Coloquei meu presente em uma mesa comprida, ao lado do bolo.

Uma caixa azul-marinho.

Fita prateada.

Sem cartão.

Por uma hora, observei o espetáculo se desenrolar.

Mariana repetia “meu bebê Rivera” a cada cinco minutos. Alejandro aceitava os parabéns como se tivesse conquistado o mundo. Dona Patrícia falava do “primeiro neto” com os olhos marejados.

Mas Rodrigo Rivera não estava comemorando.

Ele estava parado perto do bar, pálido, com um copo d’água intocado na mão. Cada vez que Mariana tocava a barriga, ele olhava para Alejandro. Depois, olhava para mim.

Ali estava.

O medo.

Depois de cortar o bolo, Rodrigo me seguiu até o corredor que levava ao jardim.

“Lorena”, ele sussurrou. “Por favor.”

Parei.

“Por favor, o quê?”

Ele engoliu em seco.

“Eu não sabia que isso ia chegar a esse ponto.”

“Que curioso”, eu disse. “Porque uma gravidez geralmente vai muito longe.”

Ele fechou os olhos.

“Mariana me disse que Alejandro sabia. Que eles tinham um acordo. Que ele não podia ter filhos e que a família precisava de um herdeiro.”

“E você acreditou nela?”

“Não sei”, murmurou ele. “Eu queria acreditar nela.”

Sua voz falhou.

“Ele me disse que me amava.”

Por um instante, quase senti pena dele.

Quase.

“Alejandro sabe que o bebê é seu?”

Rodrigo olhou para a sala de estar, onde seu irmão ria com alguns sócios.

“Não.”

A palavra caiu entre nós como uma pedra.

Peguei um envelope dobrado da minha bolsa e entreguei a ele.

Rodrigo leu a primeira página e seu rosto empalideceu.

“O que é isso?” “Uma notificação extrajudicial”, respondi. “Seu pai escondeu dinheiro da empresa durante meu divórcio. Alejandro assinou documentos falsificados. Mariana movimentou fundos através de sua boutique em Guadalajara.”

“Eu não estava envolvida nisso.”

“Mas agora você sabe.”

Rodrigo ergueu o olhar, tremendo.

“Ela vai me destruir.”

“Não”, eu disse. “Ela já destruiu. Eu só vim abrir a porta para todos verem.”

Da sala de estar, Mariana anunciou com voz de rainha:

“É hora de abrir os presentes!”

Rodrigo fechou os olhos.

Voltei para a sala em meio a aplausos.

E eu sabia que, quando Mariana abrisse minha caixa, ninguém naquela casa respiraria da mesma forma novamente.

PARTE 3

Mariana abriu primeiro mantas bordadas, sapatinhos de bebê italianos, pulseiras de ouro para recém-nascidos e um chocalho de prata com o nome Rivera gravado.

Cada presente a fazia brilhar ainda mais. Cada palma elevava um pouco mais o peito de Alejandro.

“Esta criança nascerá rodeada de amor”, disse Dona Patrícia, enxugando uma lágrima.

Permaneci sentada, calma, com as mãos cruzadas no colo.

Então Mariana pegou minha caixa.

A atmosfera na sala mudou.

Algumas mulheres se inclinaram para a frente. Dom Ernesto colocou seu copo sobre a mesa. Rodrigo, num canto, parecia prestes a desmaiar.

Mariana sorriu para a plateia.

“Oh, Lorena”, disse ela, elevando a voz. “Você realmente não precisava trazer nada. Sua presença já é… suficiente.”

Alguns convidados soltaram risinhos constrangidos.

Ela desatou a fita prateada com movimentos lentos, saboreando cada segundo. Queria que todos vissem a ex-esposa humilhada entregando um presente ao filho que eu supostamente nunca poderia dar a Alejandro.

Ela levantou a tampa.

Dentro havia um porta-retratos.

Não continha uma foto.

Continha um documento.

Mariana olhou para ele por um instante, e seu sorriso desapareceu.

Alejandro franziu a testa.

“O que é isso?”

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