PARTE 1
À 1h58 da manhã, Harlan Mercer acordou com a luz do celular na mesa de cabeceira.
A casa estava silenciosa. Por um instante, ele pensou que fosse apenas um aviso.
Então, viu o nome.
Sadie.
Não era seu filho, Wesley. Nem sua nora, Maren.
Sadie, sua neta adotiva de oito anos, que quase nunca ligava para ninguém sem permissão.
Ele atendeu imediatamente.
“Sadie, querida? O que houve?”
A princípio, ouviu apenas uma respiração fraca e irregular.
Então, o sussurro suave dela se dissipou.
“Vovô Harlan.”
Algo dentro dele se apertou.
Harlan havia trabalhado por quase 30 anos como defensor de famílias nomeado pelo tribunal no Oregon. Ele sabia que as crianças muitas vezes diziam a verdade com cautela. Nem sempre diziam “Estou com medo”. Às vezes, diziam “Desculpe”.
“Sinto um calor insuportável”, sussurrou Sadie. “E quando fecho os olhos, o quarto se move.”
Harlan sentou-se rapidamente.
“Onde está seu pai? Onde está Maren?”
Sadie permaneceu em silêncio.
“Eles foram para a Flórida”, disse ela finalmente. “Para o aniversário do Carter.”
“Com o Carter?”
“Sim.”
Harlan fechou os olhos, reprimindo a raiva para que Sadie não o ouvisse.
“Você está sozinha em casa?”
“Eles deixaram o remédio na bancada”, disse ele rapidamente. “E a mãe dele me escreveu um bilhete.”
Essa frase o deixou sem palavras.
“O que diz o bilhete?”
“Não sei tudo. As palavras começaram a se mover.”
Harlan se vestiu.
“Escute. Não se levante. Não desça. Mantenha-me na linha.”
“Desculpe”, sussurrou ele. “Não queria te incomodar.”
“Você fez a coisa certa”, disse Harlan. “Você ligou para a pessoa certa.”
PARTE 2
A viagem até o bairro de Wesley durou menos de quinze minutos, mas pareceu muito mais longa.
Harlan manteve Sadie na cadeira do diretor o tempo todo. Sempre que ela ficava sem fôlego, ele lhe fazia perguntas simples.
“De que cor é o seu cobertor?”
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