Vi um homem sem-teto vestindo a jaqueta do meu filho desaparecido – segui-o até uma casa abandonada.

De repente, a porta se abriu atrás de mim e eu me virei. Um senhor idoso havia entrado. Ele se movia lentamente, contando moedas na palma da mão, agasalhado contra o frio. Parecia ser um morador de rua.

E ele estava usando a jaqueta do meu filho.

Não uma jaqueta qualquer, mas exatamente a jaqueta que ele havia vestido antes de sair para a escola naquele dia.

Eu sabia que não era apenas um casaco parecido por causa do remendo em forma de guitarra na manga rasgada. Eu mesma o havia costurado, à mão. Também reconheci a mancha de tinta nas costas quando o homem se virou para o balcão e pediu um chá.

Apontei para ela. “Acrescente o chá daquele senhor e um pãozinho ao meu pedido.” A barista olhou para ele e assentiu. O senhor idoso se virou. “Obrigado, senhora, a senhora é muito—” “Onde você conseguiu essa jaqueta?”

O homem olhou para ela. “Um menino me deu.”

“Cabelo castanho? Uns 16 anos?” O homem assentiu.

O barista entregou o pedido dele. Um homem de terno e uma mulher de saia lápis se colocaram entre o senhor e eu. Desviei para o lado para contorná-los, mas o senhor já havia sumido.

Observei a cafeteria com os olhos. Lá estava ele, saindo para a calçada.

“Espere, por favor!” Fui atrás dele.

Tentei alcançá-lo, mas as calçadas estavam lotadas. As pessoas davam passagem para ele, mas não para mim. Depois de dois quarteirões, percebi algo: o senhor não havia parado nenhuma vez para pedir troco. Também não havia parado para comer o bagel ou tomar o chá. Ele se movia com um propósito.

Meu instinto me dizia para parar de tentar alcançá-lo e segui-lo. E foi o que fiz. Segui-o até a periferia da cidade.

Ele parou em frente a uma casa antiga e abandonada. Estava cercada por um jardim abandonado e tomado pelo mato, que se misturava perfeitamente com a mata nos fundos. Parecia que ninguém se importava com ela há muito tempo. O velho bateu suavemente na porta.

Fui até lá. O velho se virou por um instante, mas me abaixei atrás de uma árvore antes que ele me visse. Ouvi a porta abrir.

“Você disse para avisar se alguém perguntasse sobre a jaqueta…” disse o velho.

Espiei por trás da árvore. Quando vi quem estava parado na porta daquela casa velha e dilapidada, achei que ia desmaiar. “Daniel!” Tropecei em direção à porta. Meu filho olhou para cima. Seus olhos se arregalaram de medo.

Uma sombra se moveu atrás de Daniel. Ele olhou por cima do ombro, para mim, e então fez a última coisa que eu esperava. Correu.

“Daniel, espere!” Acelerei o passo, passando pelo velho e entrando na casa. Uma porta bateu com força. Disparei pelo corredor e entrei na cozinha. Abri a porta dos fundos bem a tempo de ver Daniel e uma menina correndo em direção à floresta. Corri atrás deles, chamando pelo nome dele, mas eles eram muito rápidos. Perdi-os de vista.

Dirigi direto para a delegacia mais próxima e contei tudo para a recepcionista.

“Por que ele fugiria de você?”, perguntou ela.

“Não sei”, respondi. “Mas preciso da sua ajuda para encontrá-lo antes que ele desapareça de novo.” “Vou emitir um alerta, senhora.” Sentei-me. Cada vez que a porta se abria, meu corpo inteiro enrijecia. Eu me fazia as mesmas perguntas repetidamente: E se ele já estiver em um ônibus? E se ele tiver ido embora? E se essa for minha única chance?

Por volta da meia-noite, o policial se aproximou de mim. “Nós o encontramos. Ele estava perto do terminal rodoviário. Estão trazendo-o agora mesmo.” Uma onda de alívio me invadiu. “E a garota que estava com ele?” “Ela estava sozinha.”

Levaram Daniel para uma pequena sala de interrogatório. Só percebi que ele estava chorando quando senti as lágrimas no meu rosto. “Você está vivo. Você tem ideia do quanto eu fiquei preocupado? E quando finalmente te encontrei… Por que você fugiu de mim?” Ele olhou para a mesa. “Eu não fugi de você.”

“Então o que—” “Eu fugi da Maya.”

E então ele me contou tudo. Nas semanas anteriores ao desaparecimento de Daniel, Maya havia se confidenciado com ele. Ela contou que seu padrasto estava cada vez mais instável e imprevisível. Ele gritava e quebrava coisas quase todas as noites. “Ele disse que não podia mais ficar lá”, disse Daniel. “Ele estava com medo.” “Eu o conhecia, eu acho. Fui até a casa dele para perguntar se ele sabia o que tinha acontecido com você, e um homem atendeu a porta. Ele me disse que Maya estava na casa dos avós.” Daniel balançou a cabeça. “Ela mentiu.”

Recostei-me na cadeira. “Todo esse tempo… mas por que ela não contou para um professor? E o que isso tem a ver com você ter fugido?” “Ela achava que ninguém acreditaria nela, e eu… eu não sabia o que fazer.” O rosto de Daniel se contraiu. “Ela veio para a escola naquele dia com a mochila pronta. Ela me disse que ia embora à tarde. Tentei convencê-la a ficar, mas ela não me ouviu.” “Então você foi com ela.” “Eu não podia deixá-la ir sozinha, mãe. Eu queria ligar para você tantas vezes.” “Por que você não ligou?” “Porque eu prometi à Maya que não contaria a ninguém onde estávamos.” Ele engoliu em seco. “Ela achou que, se alguém nos encontrasse, a mandariam embora.”

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