As crianças correram em sua direção.
Algumas o abraçaram.
Outras lhe mostraram desenhos.
Então eu entendi.
Ele não era um paciente.
Ele era um voluntário.
A recepcionista se aproximou de mim.
“Ele vem aqui todas as noites desde que perdeu a esposa.”
Olhei para Marcos.
Uma das crianças estava sentada em seus ombros.
Outra puxava sua manga.
E ele estava sorrindo.
“Laura morreu aqui”, continuou a mulher. “Antes de falecer, ela pediu a ele que nunca deixasse essas crianças sozinhas.”
Senti um nó na garganta.
Marcos se aproximou.
“A garçonete é irmã de uma enfermeira deste hospital.”
Franzei a testa.
“Ela sabia quem você era?”
“Sim.”
“E por que ela escreveu aquele bilhete?”
Ele sorriu tristemente.
“Porque ela acha que ninguém deveria se apaixonar por mim.” — Por quê?
Ele olhou para as crianças.
Depois, olhou para mim.
“Porque ele acha que uma parte de mim ainda vive no passado.”
O silêncio pareceu durar uma eternidade.
Finalmente, respondi:
“Talvez.”
“Talvez.”
“Mas a outra parte veio jantar comigo hoje à noite.”
Pela primeira vez desde que o conheci, ele sorriu de verdade.
E foi então que eu entendi algo.
Eu não havia seguido um homem suspeito.
Eu não havia descoberto uma mentira.
Eu havia descoberto uma história de amor que ainda doía.
E talvez…
o começo de outra que ainda estava por ser escrita.