José aproximou-se.
“O que houve?”
O médico apontou para a imagem.
“Observe a estrutura do crânio… o comprimento da mandíbula… as proporções do peito.”
José não entendeu nada.
Então o médico olhou-o diretamente nos olhos.
“Sr. Ramírez… o que o senhor criou durante cinco anos… é um lobo.”
A palavra o atingiu como um trovão.
“Um… lobo?” José repetiu, incrédulo.
“Sim.”
As pessoas na sala começaram a murmurar.
“Mas isso é impossível”, disse José. “Eu o encontrei quando ele era filhote… tão pequeno… tão indefeso…”
O médico assentiu lentamente.
“Ele provavelmente se separou da mãe muito cedo. Talvez alguém o tenha encontrado e o abandonado. Ou talvez a mãe dele tenha morrido.”
José olhou para Canelo.
De repente, muitas coisas começaram a fazer sentido.
Sua velocidade.
Sua inteligência.
O jeito como às vezes desaparecia e voltava sem fazer barulho.
O médico continuou:
“Não é um lobo completamente selvagem. Ele cresceu com vocês. Vocês são da família dele. Mas biologicamente… ele pertence à natureza.”
José sentiu o chão sumir sob seus pés.
“O que isso significa?”
O médico suspirou.
“Significa que… as autoridades ambientais podem obrigá-lo a entregá-lo.”
José permaneceu em silêncio.