Então, ele a acomodou em um pequeno cobertor perto da cama.
José nunca tinha tido um animal de estimação.
Mas naquela noite, enquanto a criatura dormia enroscada nele, ele sentiu uma estranha conexão… como se aquele pequeno ser tivesse entrado em sua vida por um motivo.
O pequeno animal emitia sons suaves e baixos, como se estivesse expressando gratidão.
A partir daquele dia, José começou a cuidar dela como se fosse sua própria filha.
Ele decidiu chamá-la de Canelo, porque sua pelagem tinha um tom marrom-dourado que lembrava canela.
E também porque, de alguma forma, aquele pequeno ser havia trazido algo de calor para sua vida.
Com o passar dos meses, Canelo cresceu.
Mas ela não cresceu como um cachorro normal.
Ela era incrivelmente ágil. Às vezes, desaparecia por um tempo e reaparecia de repente em lugares onde parecia impossível que ela pudesse ter estado.
Ela era tão inteligente que José ficou sem palavras.
Canelo entendia comandos, reconhecia objetos e até parecia captar o tom emocional da voz de José.
Às vezes, quando José tentava brincar com ela, Canelo reagia com tanta astúcia que era ele quem acabava surpreso.
Os vizinhos, a princípio, zombavam um pouco dela.
“Ei, José”, disse Dom Ernesto, o vizinho da frente, “você trata essa cachorra como se fosse seu filho.”
José apenas sorriu.
“Bem, ela é minha companheira”, respondeu.
Mas, com o tempo, até os vizinhos começaram a notar algo estranho.
Canelo não era como os outros cães.
Ela sabia vigiar a casa quando um estranho se aproximava.