A garota não respondeu imediatamente.
Em vez disso, desviou o olhar.
Lentamente.
Deliberadamente.
Na direção de Victoria.
Segundos antes, Victoria sorria, conversando naturalmente, a própria imagem da serenidade.
Agora, seu sorriso havia desaparecido.
Completamente.
Seu rosto empalideceu, a cor sumindo como se alguém tivesse lhe arrancado a vida num sopro.
Todos sentiram.
Todos sentiram.
A garota olhou para Daniel.
“Minha mãe me disse para devolver”, disse ela.
Silêncio.
Não o silêncio educado de uma reunião formal.
Um silêncio denso e sufocante que pesava sobre todos na sala.
Ninguém se mexeu.
Ninguém falou.
Daniel encarou o pequeno objeto que a garota segurava na palma da mão aberta.
Um medalhão de prata.
Velho.
Desgastado.
Mas inconfundível.
Sua mão subiu lentamente, quase involuntariamente, até o peito. Com os dedos trêmulos, deslizou a mão por baixo da gola da camisa e puxou uma corrente.
Pendurado nela…
um medalhão idêntico.
O mesmo formato.
A mesma gravura delicada.
A mesma lembrança.
“É isso…” Sua voz falhou. “É impossível.”
Seus dedos tremeram enquanto o segurava, comparando-os.
O tempo pareceu se distorcer naquele instante.
A garota se aproximou.
“Minha mãe tinha isso”, disse ela suavemente. “Ela me disse que um dia… eu encontraria você.”
Daniel prendeu a respiração.