Bom dia. O Daniel já chegou?
A recepcionista franziu levemente a testa.
“Daniel? Não, senhora. Ele pediu para trabalhar de casa esta semana. Disse que precisava ficar em casa por motivos familiares.”
Motivos familiares.
Uma calma fria percorreu meu corpo.
Obrigada, Ethan.
Obrigada por confiar em mim.
Voltei para o carro e fiquei sentada ali por um longo tempo.
Não chorei.
Ainda não.
Precisava pensar primeiro.
Relembrei pequenos detalhes dos últimos meses.
Daniel insistia que eu levasse o Ethan todas as manhãs.
Daniel se ofereceu para ficar em casa “para adiantar os relatórios”.
Daniel estava tomando banho assim que saí.
Senti um nó no estômago.
Não era um erro recente.
Era uma rotina.
Uma rotina que meu filho vinha observando em silêncio.
Naquela noite, não confrontei Daniel.
Preparei o jantar.
Ouvi a história inventada dele sobre reuniões intermináveis.
Observei-o brincar com Ethan enquanto o ajudava a escovar os dentes.
Fiquei pensando em como ele conseguia beijar nosso filho com a mesma boca que usara para beijar outra mulher horas antes.
Quando Ethan adormeceu, sentei-me em frente a Daniel na cozinha.
“Como foi seu dia na cidade?”, perguntei calmamente.
“Exaustivo”, respondeu ele sem olhar para mim. “O trânsito estava terrível.”
Mentiroso.
“Tem certeza de que foi?”
Ele olhou para cima.
“O que isso significa?”
Sustentei seu olhar.
“Você não foi ao escritório hoje.”
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