Marta pegou o casaco e a bolsa.
“Não venha me procurar de novo!” sibilou antes de bater a porta.
Depois, o apartamento parecia vazio.
Thomas se virou para mim.
“Desculpe. Eu só queria estar apresentável.”
“E como eu deveria me sentir?” perguntei. “Invisível?”
Não tive resposta.
“Você deixou que me humilhassem na minha própria casa”, continuei. “Aquilo não foi paz. Foi covardia.”
“Eu posso consertar isso”, disse ele rapidamente.
“Não”, respondi. “Algumas coisas não têm conserto. A gente aprende com elas.”
Naquela noite, ele dormiu no sofá. Na manhã seguinte, pedi o divórcio. Ele não se opôs.
Semanas depois, o apartamento estava silencioso novamente. Comprei um vaso novo, simples e sem adornos. Não para substituir o quebrado, mas para me lembrar de uma verdade:
Mentiras se estilhaçam com um estrondo ensurdecedor. A verdade permanece silenciosa e perdura.