“Sophie… você sabe como ela é”, murmurou. “Eu não queria chateá-la. Disse a ela que compramos juntas. Que eu sou a principal provedora da família.”
“Você está mais calma agora?”, perguntei. “Ela está me expulsando da minha própria casa. Você mentiu por três anos?”
“Eu só… exagerei”, disse ela, sem muita convicção. “Já estou indo. Conversamos depois.”
Encerrei a conversa e fiquei parada ali, ouvindo as gavetas batendo e os passos indo e vindo na cozinha. Marta não se mexeu; acomodou-se como se o lugar já fosse dela.
Voltei para fora.
“Já terminou de conversar?”, perguntou ela, com desdém. “Então comece a arrumar suas coisas. Não vou tolerar você aqui por muito mais tempo.”
“Eu não vou embora”, respondi calmamente, surpreendendo até a mim mesma. “Este é o meu apartamento. E vai continuar sendo.”
“Veremos”, ela zombou. Thomas vai contar a verdade.
Pela primeira vez, sorri.
“A verdade não precisa ser invocada”, eu disse. “Ela surge sozinha.”
Quando a porta da frente se abriu, Marta se levantou num pulo. Thomas entrou correndo, tenso e pálido.
“O que houve?”, perguntou ele, evitando meu olhar.
“Conte a ela!”, exigiu Marta. “Diga a ela que o apartamento é seu!”
Thomas engoliu em seco.
“Mãe… não”, disse ele baixinho. “O apartamento pertence à Sophie. Os pais dela compraram. Eu não contribuí com nada.”
As palavras invadiram o cômodo como pedras caindo.
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