E eles lutaram.
Foram de fazenda em fazenda em busca de testemunhos. Dona Candelaria foi a primeira a assinar. Depois, o Sr. Jacinto, depois Dom Laureano, depois metade de toda a região, todos dispostos a testemunhar que Elena havia sustentado a terra sozinha por anos e que Tomás tinha vindo para trabalhar, não para se aproveitar dela.
O advogado da cidade concordou em representá-los em troca de pagamento futuro.
“Será difícil”, avisou ele. “Mas se o juiz vir que a fazenda é produtiva e que o seu comprometimento é genuíno, temos uma chance.”
Três dias antes da audiência, sob uma fina chuva que transformou o pátio em lama, Tomás encontrou Elena na cozinha fazendo café.
Ela olhou para ele, com os olhos brilhantes, mas serenos.
“Estou feliz”, confessou ela de repente. “Sabe por quê? Porque, pela primeira vez em muito tempo, não estou mais sozinha.”
A honestidade daquelas palavras despojou Tomás do último vestígio de covardia.
Ele se aproximou lentamente. Ele colocou a toalha sobre a mesa.
“Eu também não estava procurando por isso”, disse ele. “Eu só queria um teto sobre a cabeça dos meus filhos. E acabei encontrando um motivo para viver de novo.” Ele tocou o rosto dela com uma ternura que parecia uma oração.
“Eu te amo, Elena.”
Lágrimas brotaram em seus olhos.
“Eu também te amo.” Tomás a beijou com o cuidado de quem tem medo de profanar algo sagrado.
E em meio à chuva, ao cheiro de café e à incerteza, Elena sentiu que a vida, enfim, estava recomeçando.
A audiência foi realizada na sede da câmara municipal, em uma sala pequena e abafada.