PARTE 1
Emiliano Duarte apagou as luzes de sua residência em Lomas de Chapultepec, pegou uma mala e beijou suas duas filhas como se aquela manhã fosse completamente normal.
“Serão apenas três dias”, prometeu-lhes com um sorriso tranquilo. “Comportem-se.”
Daniela, de onze anos, o abraçou forte. Martina, de sete, se agarrou ao seu peito por mais alguns segundos, segurando um coelho de pelúcia.
Nenhuma delas sabia que o pai estava mentindo.
O avião particular nunca decolou para a Europa. Não houve reunião de negócios, reserva de hotel, jantar com investidores.
Menos de uma hora depois, Emiliano retornou pela entrada de serviço acompanhado apenas por Ramiro, seu chefe de segurança.
Ele não queria surpreender ninguém.
Queria observar.
Na noite anterior, Patricia, sua noiva, havia deixado escapar uma suspeita durante o jantar.
“Você confia demais na Rosa”, sussurrou ela. Ela está roubando coisas e manipulando as meninas para que se voltem contra mim.
Emiliano se recusava a acreditar nela.
Rosa trabalhava na casa havia quase cinco anos. Era discreta, responsável e sabia cada detalhe sobre as meninas: como Daniela gostava de seus bolinhos, qual música acalmava Martina e onde guardavam a lição de casa.
Mas Patricia vinha semeando dúvidas há semanas.
Primeiro, uma pulseira desapareceu.
Depois, disse que as meninas obedeciam mais à empregada do que a ela.
Mais tarde, alegou que Rosa revirava gavetas, ouvia conversas e agia como se a casa fosse dela.
A dúvida não surgiu de repente. Infiltrou-se aos poucos, como umidade por uma parede.
Por isso, Emiliano fingiu a viagem.
De uma sala de monitoramento escondida, ele observava as câmeras instaladas nas áreas comuns da residência.
A princípio, tudo parecia normal.
Rosa recolheu os pratos do café da manhã. Daniela terminou seu leite. Martina coloria um desenho. Os jardineiros foram embora e o motorista fechou o portão.
Então, Patrícia apareceu na sala de estar.
Seu rosto mudou assim que percebeu que Emiliano havia sumido.
O sorriso elegante desapareceu.
“O que eu disse para vocês ficarem sentadas aqui?”, disparou ela.
As meninas se assustaram.
Daniela fechou o livro imediatamente. Martina baixou o olhar e agarrou seu coelho de pelúcia.
Elas não reagiram como crianças surpresas com uma bronca.
Reagiram como crianças que sabiam o que estava por vir.
Patrícia arrancou o bichinho de pelúcia das mãos de Martina e o jogou no sofá.
“Quando seu pai não está aqui, eu que mando. Entenderam?”
Daniela se aproximou da irmã e pegou sua mão.
Rosa entrou pelo corredor.
“Senhorita Patrícia, elas não fizeram nada de errado.”
Patrícia se virou com uma fúria que paralisou Emiliano diante da tela. — Eu pedi sua opinião?
— Não, senhora.
— Então lembre-se do seu lugar.
Rosa não respondeu, mas permaneceu parada diante das meninas.
Patricia sorriu estranhamente, abriu a bolsa e tirou uma pequena caixa de veludo.
Emiliano reconheceu a pulseira que estava faltando.
A mulher caminhou em direção ao quarto de Rosa e, olhando diretamente para as meninas, disse:
— Hoje vocês vão aprender o que acontece quando alguém tenta pegar o que é meu.
E o que Patrícia fez em seguida deixou Emiliano com a mão congelada na maçaneta, sem conseguir acreditar no que estava prestes a acontecer…
PARTE 2: Para mais informações,
PARTE 2
Na tela, Patrícia abriu a gaveta da cômoda de Rosa e colocou a pulseira sob uma pilha de uniformes.
Então, ela voltou para a sala de estar como se nada tivesse acontecido.
— Daniela, vá atender o telefone fixo, ordenou. “Vamos ligar para o seu pai para dizer que encontramos o ladrão.”
Daniela não se mexeu.
Patrícia caminhou até ela.
“Estou falando com você.”
“Rosa não roubou nada”, murmurou a menina.
O golpe não foi com a mão.
Patrícia pegou o livro de Daniela e o atirou contra a parede.
“Nunca mais me contradiga.”
Martina começou a chorar. Rosa tentou se aproximar, mas Patrícia levantou um dedo.
“Nem mais um passo. Assim que Emiliano vir a pulseira no seu quarto, você vai para a cadeia.”
Rosa respirou fundo e olhou para as meninas.
“Suba para o seu quarto, por favor.”
“Não”, disse Patrícia. “Você vai ficar. Quero que veja como o lixo é retirado desta casa.”
Emiliano se levantou abruptamente.
Ramiro bloqueou seu caminho.
— Senhor, espere. Há mais uma coisa que o senhor precisa ver. —
— Mais uma coisa? —
O chefe de segurança apontou para outra tela. A câmera do corredor mostrava Daniela discretamente colocando um pequeno gravador no bolso da saia.
Emiliano congelou.
Sua filha estava reunindo provas.
Uma menina de 11 anos havia entendido o que seu pai, com todo o seu dinheiro e poder, se recusara a ver.
Na sala de estar, Patrícia pegou o telefone e fingiu discar.
— É uma pena que seu pai esteja viajando — disse ela. — Teremos tempo para preparar tudo antes que ele volte.
Rosa olhou para ela com firmeza.
— Preparar o quê? —
Patrícia deu uma risada seca.
— Sua demissão. A denúncia. E a versão que as meninas vão contar.
Daniela guardou o gravador no bolso.
— Não vamos mentir.
Patrícia se agachou na frente dela. “Claro que sim, querida. Você vai dizer que viu a Rosa entrar no camarim. Sua irmã disse…”
Ela disse que encontrou a pulseira. E se elas se recusarem, vou dizer ao pai delas que foi a Rosa que plantou essas ideias na cabeça delas.
“Papai vai acreditar na gente”, disse Martina entre lágrimas.
“Mesmo?”
Patricia alisou os cabelos com uma doçura fingida.
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