Noah entrou no corredor.
“Eu fiz isso.”
Ela olhou para ele lentamente.
“Você fez isso?”
Ela ergueu o queixo.
“Sim.”
Ela deu aquele sorriso lento e cruel dela.
“Isso explica muita coisa.”
Dei um passo à frente.
“Pare com isso.”
Ela gesticulou em direção ao vestido.
“Se você usar isso no baile, a escola inteira vai rir de você.”
O rosto de Noah ficou vermelho.
Eu disse baixinho: “Prefiro usar algo feito com amor do que algo comprado roubando de crianças.”
O corredor ficou em silêncio.
A expressão de Carla mudou.
“Saia da minha frente”, ela disparou.
Mas eu vesti o vestido mesmo assim.
Noah me ajudou a fechar o zíper nas costas antes de sairmos.
Suas mãos tremiam.
“Se uma pessoa rir”, ela disse, “eu já estou obcecada por ela.”
Isso me fez rir.
Carla também insistiu em vir ao baile.
Ela disse que queria “ver o desastre pessoalmente”.
Quando chegamos, ela estava lá no fundo com o celular pronto.
Eu a ouvi sussurrando para outra mãe que mal podia esperar para filmar meu “fracasso fashion”.
Mas algo estranho aconteceu.
As pessoas não estavam rindo.
Elas olharam para o vestido, mas não do jeito que ela esperava.
“Espera aí”, disse uma menina. “É jeans?”
Outra perguntou: “Onde você comprou?”
Um professor se aproximou e tocou em um dos painéis.
“É lindo”, disse ele.
Eu ainda não estava relaxada.
Carla estava observando com muita atenção.
Como se estivesse esperando que tudo desmoronasse.
Então, o desfile dos alunos começou mais tarde naquela noite.
O diretor foi até o microfone.
Ele agradeceu aos professores. Eu fiz o discurso de sempre.
Então, seus olhos percorreram a multidão e pararam.
Bem em Carla.
Ele abaixou o microfone um pouco.
“A câmera pode dar um zoom na última fileira?”
A tela de projeção iluminou-se com o rosto dela.
Ela sorriu a princípio.
Pensou que estava prestes a participar de algo bom.
Então, o diretor disse lentamente:
“Eu te conheço.”
A sala ficou em silêncio.
Carla riu nervosamente.
“Desculpe?”
Ele se aproximou.
“Você é a Carla.”
Ela se endireitou.