Ela permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Então tomou um gole de café.
E disse algo que jamais esquecerei.
“A verdade é que você não deve esperar que lhe devolvamos nada.”
Olhei para ela, confuso.
“Como assim, não?”
Ela deu de ombros.
Como se estivesse falando do tempo.
“Tudo isso causou muito estresse. É melhor deixar para trás.”
Meu coração afundou.
“Deixar para trás?”
“Sim.”
“Os 25 mil dólares?”
“Bem… você decidiu nos ajudar.”
Observei-a, esperando um sorriso.
Um sinal de que ela estava brincando.
Mas não houve nenhum.
Ela estava falando completamente sério.
“Não foi um presente”, respondi.
“Isso depende do ponto de vista.”
Aquelas palavras me atingiram como uma faca. Não porque eu estivesse perdendo dinheiro.
Mas porque eu entendia exatamente o que estava acontecendo.
Minha irmã estava reescrevendo a história.
Transformando um empréstimo acordado por ambas as partes em um suposto ato de generosidade unilateral.
Como se tudo tivesse sido uma doação.
Como se nunca tivéssemos discutido o pagamento.
Como se meus sacrifícios não tivessem existido.
O pior de tudo era que ela não demonstrava nenhuma culpa.
Nenhuma vergonha.