Durante quatro meses, mantive aquela fotografia escondida. Durante quatro meses, sorri durante o jantar de Natal enquanto Natalie se sentava ao meu lado, cortando o peru.
Durante quatro meses, sempre que alguém perguntava como Eric e eu estávamos, eu respondia: “Está tudo bem”.
E agora eu estava lá, microfone na mão, contando para a sala inteira algo que eu já sabia há quatro meses.
Todos estavam olhando para mim.
Esperavam que eu desabasse.
Que chorasse incontrolavelmente.
Que fugisse da minha própria festa de aniversário de casamento.
Em vez disso, levantei-me lentamente.
Ajeitei meu vestido preto.
E caminhei em direção a ela.
“Abaixe o microfone, Natalie.”
“Não, querida. Todos merecem saber a verdade.”
Seu lábio tremeu, mas ela continuou sorrindo.
“Eric e eu nos amamos. Vamos formar uma família. Algo que você nunca poderia dar a ele.”
Uma onda de exclamações de surpresa percorreu a sala.
Senti como se trezentos pares de olhos estivessem nas minhas costas. “Uma família”, repeti.
“Aceite”, disse ele. “Você perdeu.”
Então ele elevou a voz.
“Desta vez, eu ganhei.”
Não respondi.
Virei-me para a mesa no fundo e acenei com a cabeça para o homem de terno cinza.
Grant se levantou.
Ele carregava uma pasta vermelha grossa debaixo do braço.
Caminhou até a frente sem cumprimentar ninguém, sem sorrir.
O sorriso de Natalie começou a desaparecer.
“Quem é?”, perguntou ela.
Peguei o microfone da mão dele.
Ele tentou segurá-lo.
“É o homem que está guardando algo há quatro meses, algo cuja existência nem você conhece.”
Grant colocou a pasta vermelha sobre a mesa do bolo.
Ele a abriu.