Minha filha se casou com um coreano quando tinha 21 anos. Ela não volta para casa há doze anos, mas todos os anos…

Ela estava completamente sozinha. Era inteligente, doce e linda. Todos diziam que ela tinha um futuro brilhante. E parecia que tinha mesmo.

Aos vinte e um anos, ela conheceu Kang Jun, um coreano quase vinte anos mais velho. Eu me opus, não por preconceito, mas por causa da diferença de idade e da distância. Mas minha filha era teimosa. Havia uma determinação em seus olhos que eu não conseguia mudar.

Eles se casaram em uma cerimônia simples. Um mês depois, ela partiu com ele para a Coreia do Sul. No aeroporto, ela me abraçou e chorou. Eu chorei também, em silêncio. Pensei que ela voltaria em alguns anos. Ela nunca voltou. Um ano se passou. Depois dois. Depois cinco. Parei de perguntar. Só o dinheiro continuava chegando, todo ano, exatamente oitenta mil dólares, com uma mensagem curta: “Mãe, cuide-se bem. Estou bem.” Essa palavra, “bem”, era o que mais me preocupava. Fizemos uma chamada de vídeo uma vez. Ela ainda era linda, mas seu olhar não era mais o mesmo. Sempre com pressa. Sempre distante. Perguntei-lhe por que não tinha voltado para casa. Ela ficou em silêncio por um instante e depois disse: “Estou muito ocupada, mãe”. Não insisti. Às vezes, as mães perdem a coragem por medo de ouvir a verdade.

O tempo passou. Minha casa melhorou graças ao dinheiro que ela me enviava. Todos diziam que eu tinha sorte. Mas como ser feliz comendo sozinha todos os dias? Todo Natal, eu preparava um lugar para ela. Cozinhava seu ensopado favorito e chorava em silêncio. Doze anos. É muito tempo. Finalmente, tomei uma decisão: eu ia para a Coreia. Não lhe contei nada. Para uma mulher de sessenta e três anos que nunca tinha saído do país, isso era loucura. Mas comprei minha passagem com a mão trêmula e parti.

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