Durante uma semana, me trataram como se eu estivesse morta.
Minha mãe não atendia minhas ligações. Meu pai apenas me mandou uma mensagem curta e grossa: “Dê um tempo para sua irmã”. Meus primos pararam de me convidar para as refeições. Minha tia Lupita, que sempre dizia que eu era como sua segunda filha, me excluiu do Facebook. No grupo da família, toda vez que eu escrevia algo, todos paravam de responder.
Javier não apenas me acusou. Ele inventou toda uma história.
Um dia, minha prima Rocío, a única que ainda tinha algumas dúvidas, veio me visitar no meu apartamento. Ela fechou a porta, sentou-se à minha frente e me mostrou capturas de tela que Patrícia havia enviado para ela. Lá estava minha foto de perfil, meu suposto número de telefone, frases vulgares, mensagens enviadas a qualquer hora, até mesmo uma imagem borrada de uma mulher de roupa íntima que, segundo eles, era eu.
Senti nojo.
“Rocío, essa não sou eu.”
“Quero acreditar em você, Claudia, mas eles são muito bem feitos.”
“Porque o Javier entende de design.” Ela gerencia as redes de contatos do chefe. Ela sabe editar, sabe fingir conversas.
Rocío empalideceu.
“E se o que você está dizendo for verdade?”
“Não preciso que você acredite em mim ainda. Preciso que você não conte a ninguém que veio.”
Naquela mesma tarde, comprei um celular barato e abri uma nova conta. Não para fingir nada, mas para salvar tudo o que acontecesse dali em diante. Gravei ligações, mensagens, encontros. Comecei a documentar o estrago que o Javier estava me causando.
Três dias depois, ele apareceu na porta do meu trabalho. Eu estava saindo da loja de vestidos onde eu era gerente, e lá estava ele, encostado na caminhonete, usando óculos escuros, com aquela indiferença que só os homens que acham que ninguém pode tocá-los têm.
“Você já aprendeu a não rejeitar alguém que pode te destruir?”, ele me perguntou.
“Já aprendeu a não rejeitar alguém que pode te destruir?” Liguei o gravador dentro da minha bolsa.
“Você destruiu minha família.”
“Não exagere.” Eu só contei uma história que eles queriam acreditar.
“Você inventou mensagens.”
“E daí? Sua irmã era tão insegura que eu não precisei me esforçar muito.”
Senti raiva, mas não me permiti tremer.
“Por que você fez isso?”
Javier se aproximou.
“Porque você me humilhou. Porque você se achava superior. E porque, mesmo agindo como um santo, eu sei que você gosta de mim.”
Dei um passo para trás.
“Nunca mais diga isso.”
Ele sorriu.
“Claro que você gosta de mim. É por isso que você não denunciou nada. Porque, no fundo, você tem medo de admitir que também sentiu algo.”
Foi aí que eu entendi sua fraqueza: seu orgulho. Javier não queria apenas me punir. Ele queria provar que podia me ter. Naquela noite, liguei para Patricia. Chorei como se estivesse derrotada.
“Paty, preciso falar com você. Não quero continuar destruindo a família.”
Houve um longo silêncio.
“Você vai admitir o que fez?”
Engoli em seco.
“Quero me desculpar pessoalmente. Na sua frente e na do Javier.”
Me odiei por ter dito aquelas palavras, mas sabia que se entrasse pela porta da raiva, eles nunca mais me deixariam chegar perto deles. Eu tinha que entrar pela porta do remorso.
No domingo, eles me permitiram ir à casa dos meus pais. Era como entrar em um tribunal. Minha mãe fez café sem olhar para mim. Meu pai estava sentado, rígido. Patricia cruzou os braços. Javier fingiu estar desconfortável, mas seus olhos brilhavam.
“Me desculpe”, eu disse, olhando para baixo. “Sei que causei muita dor.”
Patricia chorou. Javier se levantou e colocou a mão no ombro dela.
“O importante é se curar”, disse ele, como se fosse um santo.
Mas quando fui à cozinha pegar água, ele me seguiu.
“Não pensei que você fosse tão obediente”, sussurrou.
“Talvez eu tenha me cansado de lutar”, respondi.
Ele se aproximou.
“Ou talvez você finalmente tenha aceitado o que sempre quis.”
Não respondi. Apenas o encarei por alguns segundos, tempo suficiente para que ele pensasse que eu tinha dúvidas.
Nos dias seguintes, enviei mensagens ambíguas. Nada explícito. Perguntas sobre Mateo, sobre Patricia, sobre se eles ainda estavam zangados. Ele respondeu com cautela no início, depois com confiança, depois com desejo.
“Eu sabia que você não era tão fria assim.”
“Aquela noite na lavanderia poderia ter sido diferente.”
“Paty nunca precisa saber se você não quiser.”
Salvei todas as mensagens. Fiz backup de todas as minhas mensagens de voz. Mas eu precisava de mais. Precisava que Patricia ouvisse a verdade da boca dela mesma.
No sábado, liguei para minha irmã.
“Paty, o Javier está me mandando mensagens estranhas. Não quero mais problemas, mas acho que você deveria investigar uma coisa.”
Ela chegou ao meu apartamento com os olhos vermelhos.
Mostrei algumas mensagens para ela. Não todas. Só o suficiente para plantar uma semente de dúvida.
“Você pode tê-los provocado”, disse ela, embora sua voz já não soasse tão convicta.
“Então venha comigo e ouça.”
O plano era ir à casa dela, depois de um jantar em família. Fingi que tinha esquecido minha bolsa no quarto dela. Patricia se escondeu no banheiro, com a porta entreaberta e o celular gravando. De lá, mandei uma mensagem para o Javier:
“Suba. A Paty está com a sua mãe na cozinha. Quero conversar sobre o que aconteceu na lavanderia.”
Nem 20 segundos se passaram.
Ouvimos seus passos subindo as escadas.
A porta se abriu.
Javier entrou sorrindo, sem saber que a mulher que ele havia enganado ouvia tudo do outro lado da porta.
O que você acha…?
Será que Javier vai confessar quando achar que finalmente tem Claudia só para si? O final vai ser doloroso.
PARTE 3