“Gavin!” gritei. “Abra a porta!”
Através da janela embaçada, vi-o parado na varanda.
Ele não estava sozinho.
Alyssa estava ao lado dele, usando um casaco de pele branco, sorrindo com aqueles mesmos lábios vermelhos.
Gavin segurava meu telefone via satélite e meu casaco de inverno.
“Nunca foi sobre sua carreira, Morgan”, gritou ele por cima do vento uivante. “Foi sobre o dinheiro. O seguro de vida, a aposentadoria, a casa. Para mim, você vale mais morta do que viva.”
Alyssa riu baixinho. “Vamos, querido. Precisamos planejar um funeral.”
Gavin olhou para mim uma última vez.
“De manhã, a tempestade fará seu trabalho. Vão pensar que você faltou ao treinamento. Descanse em paz, Tenente.”
Então eles foram embora.
Por um minuto terrível, a dor me esmagou. O homem com quem me casei me trancou em uma cabana congelante e me deixou desaparecer.
Então respirei fundo.
A esposa dentro de mim se quebrou.
O soldado assumiu o controle.
A cabana estava completamente congelada e a chaminé bloqueada por gelo. Eu não conseguia acender uma fogueira de verdade com segurança. Quebrei uma cadeira velha e usei a madeira para fazer uma pequena chama controlada, mantendo-me agachada na fumaça. Depois, procurei ferramentas pelo cômodo.
Meus dedos sangraram enquanto eu tentava abrir a fechadura. Arranquei uma mola de metal de uma estrutura de cama velha e a dobrei para improvisar uma ferramenta. Usei uma tábua quebrada do assoalho como alavanca e me forcei a ignorar o frio, a fumaça e a dor.
“É tudo uma questão de influência”, sussurrei.
Um pino clicou.
Depois outro.
Finalmente, a fechadura se abriu e caiu no chão.
Arrombei a porta e saí para a nevasca.
A caminhada foi de vinte e quatro quilômetros na neve e sob um vento brutal. Ao chegar a um posto militar, eu estava quase congelado, tremendo e coberto de sangue e gelo. Um guarda me obrigou a entrar.
Sobre sua mesa havia um jornal.
Meu próprio rosto me encarava sob a manchete:
Perda Trágica: Comunidade Lamenta a Morte de Herói Local das Forças Especiais
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