Ele acha que este é um café da manhã de desculpas, convencido de que é minha maneira de pedir perdão por algo que nunca foi minha culpa.
Ele não faz ideia da verdade que estou prestes a revelar enquanto o silêncio me oprime e me concentro em não dizer uma palavra.
Ele salga os ovos sem levantar os olhos e, nesse exato momento, a campainha toca, quebrando a tensão silenciosa que preenchia a casa.
Ele franze a testa e limpa a boca com o guardanapo, irritado com a interrupção, como se alguém tivesse invadido seu momento sagrado.
“Convidei algumas pessoas”, digo sem desviar o olhar enquanto ele se levanta e caminha até a porta com sua arrogância habitual.
Prendi a respiração ao ouvir o clique da fechadura e sua voz perguntando o que houve antes de tudo ficar em silêncio.
Viro a cabeça a tempo de ver sua expressão mudar ao ver Marcos, vestido com seu uniforme de policial, parado em frente à porta.
Atrás dele, minha irmã Tania segura um envelope volumoso de papel pardo enquanto a irmã Elena entra a passos largos. Firme, carrega sua Bíblia na bolsa.
A cena é absurda, esta casa perfeita e organizada com meus aliados entrando como testemunhas silenciosas de uma verdade que não pode mais ser escondida.