PARTE 2: Na manhã seguinte, a sala de reuniões no trigésimo segundo andar estava mais fria que o normal.
Das janelas, a Avenida Reforma cintilava à luz do sol, como se a cidade não soubesse que minha vida acabara de ser despedaçada. O advogado Barragán estava sentado no centro da mesa com várias pastas. Claudia permanecia em um canto, séria. Sofía Mendoza, a jovem diretora de operações que Alejandro havia preparado quase como uma filha profissional, estava perto da janela, com os olhos inchados de tanto chorar.
Rodrigo chegou quinze minutos atrasado.
Não se desculpou.
Entrote com Mariana, que usava óculos escuros enormes e tinha um celular grudado na mão. Rodrigo cumprimentou o advogado como se estivesse fechando um negócio.
“Bem, advogado, vamos começar.” Meu pai sempre queria que tudo acontecesse rápido.
Não disse nada.
Barragán abriu a pasta.
“O patrimônio do Sr. Alejandro Herrera, incluindo ações do Grupo Herrera, propriedades, investimentos e participação em fundos fiduciários, está avaliado em aproximadamente dezoito bilhões de pesos.” Mariana abaixou o celular.
Rodrigo se remexeu na cadeira. A ambição iluminou seu rosto por um segundo, quase um segundo, mas o suficiente para eu ver.
“No entanto”, continuou o advogado, “há uma cláusula especial assinada pelo Sr. Alejandro cinco meses antes de sua morte. Uma cláusula de natureza moral e administrativa.”
Rodrigo riu.
“Uma cláusula moral? O que é isso, uma piada?”
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