PARTE 2
Meu casamento terminou após cinco anos. Sem filhos. Sem bens em meu nome. Nem mesmo uma palavra me pedindo para ficar.
A casa que um dia tentei chamar de “lar” permanecia silenciosa em uma rua de Guadalajara, para onde me mudei de Puebla para construir uma vida com meu marido.
Quando cruzei o portão de ferro naquele dia, o sol batia forte no pátio de tijolos vermelhos.
Mas lá dentro… só havia frio.
Minha sogra, Dona Carmen Rivera, estava de braços cruzados, olhando para mim com satisfação, como se finalmente tivesse se livrado de alguém que nunca aceitou.
Ao lado dela, Lucía — minha cunhada — sorria com aquela expressão que sempre tinha quando sabia que eu estava sofrendo. “Vá embora”, murmurou. “Você ficou tempo demais.”
Mateo, meu ex-marido, não saiu para se despedir. Nem sequer disse adeus. Talvez ainda estivesse dentro de casa. Ou talvez tivesse saído mais cedo para evitar aquele momento. Mas já não importava.