Datas.
Tudo.
Alejandro abriu o livro desesperadamente, lendo-o repetidas vezes até que as páginas começaram a tremer em suas mãos.
“Não… não… não…”
Camila, que insistira em nos seguir e agora estava parada na porta do escritório, soltou um grito abafado.
“Sua esposa era sua irmã?”
Ninguém respondeu.
Senti náuseas.
Raiva.
Repulsa.
Dor.
Mas, acima de tudo, uma sensação devastadora de traição que ia muito além da infidelidade.
Meu pai sabia.
Ele sabia antes de morrer.
E mesmo assim permitiu aquele casamento.
Por culpa? Por medo do escândalo? Para tentar proteger um filho ilegítimo sem destruir a própria filha?
Eu jamais poderia perguntar a ele.
Esse foi o castigo mais cruel de todos.
Alejandro caiu de joelhos.
Ele puxou os cabelos, começou a soluçar, rir e chorar ao mesmo tempo, como um homem que acabara de perder a cabeça.
“Eu não sabia… Juro que não sabia…”
Uma lágrima escorreu pela minha bochecha.
“Nem eu.”
Durante dias, todo o México falou sobre o caso.
Não apenas sobre a fraude multimilionária no Grupo Monteverde.
Mas também sobre o escândalo inacreditável: o CEO desonrado, sua amante, as empresas de fachada… e a revelação de um parentesco secreto que transformou aquele casamento em uma tragédia moral e jurídica.
O casamento foi anulado.
As autoridades bloquearam contas, confiscaram bens e iniciaram processos criminais. Camila foi abandonada por todos. Sua mãe e seu irmão tentaram fugir, mas foram presos no aeroporto de Cancún com documentos falsos e dinheiro sem explicação.
Alejandro não foi preso imediatamente.
Antes, ele pediu para me ver uma última vez.
Só concordei porque precisava curar aquela ferida.
Nos encontramos em um quarto reservado no hospital psiquiátrico onde ele estava em observação. Ele havia tentado suicídio duas vezes em menos de uma semana.
Quando entrei, ele olhou para cima.
Nada restava do homem elegante, ambicioso e confiante que um dia dirigiu minha empresa.
Ele parecia uma casca vazia.
“Valéria…”, disse ele, com a voz embargada. “Me perdoe.”
Olhei para ele em silêncio.
“Eu não te perdoo”, respondi. “Mas não vou continuar te carregando dentro de mim. O que você fez me destruiu uma vez. Você não vai fazer duas vezes.”
Seus olhos se encheram de lágrimas.
“Eu te amei… mesmo que tenha sido tarde… mesmo que tenha sido errado…”
Balancei a cabeça levemente.
“Não. Você queria o poder. Você queria o nome. Você queria tudo o que vinha com ele. O amor não humilha. O amor não rouba. O amor não trai.”
Levantei-me para sair.
Veja o resto na próxima página.