Mauricio amava o luxo como algumas pessoas amam o oxigênio. Considerava-o natural. Mergulhava no conforto como se fosse um direito de nascença. O carro importado, a associação ao clube privado, o relógio que usava nos almoços de negócios, a mansão em Bosques de las Lomas com sua entrada de pedra polida e sebes impecavelmente cuidadas, a mesada que enviava à mãe, as férias, os jantares, os empregados domésticos, as pequenas emergências que sempre acabavam sendo caras quando me afetavam.
Eu pagava por tudo.
Durante anos, convenci-me de que era assim que um relacionamento se parecia em tempos difíceis. Eu estava em melhor situação financeira, então assumi mais responsabilidades. Mauricio tinha ideias, charme, ambição e instinto social. Sabia como entrar em uma sala e conquistar a confiança das pessoas antes mesmo de merecê-la. Quando o conheci, essa confiança parecia promissora.
Mais tarde, descobri que era apenas ambição.
Naquela noite, antes de sair do escritório, peguei meu telefone e mandei uma mensagem para ele.
Cuide-se. Estou com muita saudade. Ele supostamente estava em Singapura em viagem de negócios.
Ele não respondeu.