Capítulo 6: Quartos Vazios
O peso da minha própria covardia me oprimia, pesado e sufocante.
Passei meses enchendo meu apartamento com móveis limpos, manhãs tranquilas e falsas provas de que eu estava me curando.
Nada de fotos emolduradas.
Nada de cobertores de bebê escondidos nas gavetas.
Nenhuma voz gentil perguntando se eu queria chá.
Apenas arrume.
Silêncio.
Quartos vazios que nunca me pediam nada.
Eu havia confundido a ausência de dor com paz.
Mas ver Emma ali, frágil e sozinha, expôs a mentira.
A distância que eu havia criado entre nós não me curou.
Só me deixou vazia por dentro.
“Quem está com você?”, perguntei suavemente.
A boca de Emma se contraiu.
“Para o tratamento?”
Assenti.
Ela olhou para baixo.
“Quase ninguém. Às vezes, meu vizinho me dá uma carona se eu estiver muito fraca.”
Essa resposta quebrou algo dentro de mim. Minha esposa tinha ido lutar contra estranhos enquanto eu me parabenizava por ter continuado.
Capítulo 7: A Arquitetura da Minha Alma
Sentei-me ao lado dela no banco frio do hospital.
Nenhum de nós falou por um tempo.
Os médicos morreram.
As enfermeiras circulavam entre os quartos.
A vida e o medo continuavam ao nosso redor como se meu mundo não tivesse acabado de desmoronar.
Emma manteve o olhar fixo no chão.
“Você não precisa fazer isso”, disse ela.
“Fazer?”
“Eu me sinto culpada.”
Soltei um suspiro que quase se transformou em riso.
“Emma.”
“Estou falando sério”, ela sussurrou. “Acabou entre nós.”
Essa frase deveria ter sido simples.
Legal.
Verdade.
Mas parecia errada em todos os sentidos importantes.
Troquei uma vida de fardos compartilhados por uma vida de quartos silenciosos.
Eu me distanciei da única pessoa que realmente conhecia a arquitetura da minha alma.
As rachaduras.
Os cômodos secretos.
As partes que eu mantinha trancadas porque temia que nem mesmo o amor pudesse sobreviver a vê-las.
E, de alguma forma, Emma me amou apesar de tudo.
Capítulo 8: Nunca um Fardo
Estendi a mão para a dela.
Por um segundo, ela olhou para meus dedos como se não tivesse certeza se eu tinha permissão para continuar segurando-os.
Aquilo doeu mais do que eu merecia admitir.
Então, eu mesma reduzi a distância.
Peguei sua mão delicadamente, com cuidado para não reabrir os hematomas perto do seu pulso, e a segurei com uma firmeza que prometia que eu não iria a lugar nenhum.
“Você nunca foi um fardo, Emma.”
Minha voz estava rouca, quase irreconhecível.
“Você era meu lar. E sinto muito por ter te deixado enfrentar isso sozinha.”
Seus olhos se encheram de lágrimas lentamente.
Não drasticamente.
Não tudo de uma vez.
Só o suficiente para eu perceber o quanto estava cansada de ser forte.
“Nathan”, ela sussurrou.
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