Eu disse a ele: “O novo vizinho se parece comigo”.
A princípio, ele não reagiu. Depois, reagiu.
Rápido demais.
De forma abrupta demais.
E naquele momento… algo parecia errado.
Dois dias depois, eu soube o porquê.
Ele já tinha ido à casa ao lado. Reconheceu o sobrenome em um pacote, o mesmo nome do casal que havia adotado meu filho.
Ele não havia esquecido.
Ele o havia enterrado recentemente.
Três dias depois da chegada do caminhão, Miles bateu na minha porta.
“Fiz café demais”, disse ele. “Quer vir aqui em casa?”
Eu deveria ter dito não.
Mas não disse.
Quando entrei na casa dele, tudo parou.
Lá, jogada sobre uma cadeira…
Era a manta.
Lã azul.
Pássaros amarelos.
Minha.
Aquela de que me falaram estava destruída.
Apontei para ela. “Onde você conseguiu isso?”
Ele pegou o objeto. “Eu o tenho desde sempre.”
Então ele disse baixinho:
“Fui adotado com três dias de vida. Meus pais me disseram que minha mãe biológica me deixou com isso… e um bilhete.”
Eu não conseguia respirar.
“Que bilhete?” perguntei.
Ele olhou para mim.
“Diga a ela que eu era amado.”
Naquele momento, eu soube.
Sem nenhuma suspeita.
Eu sabia.
Meu pai apareceu atrás de mim.
“Claire… temos que ir”, disse ele.
Mas era tarde demais.
A verdade já havia vindo à tona.
Quando exigi respostas, ele finalmente cedeu.
“Ela arranjou a adoção”, disse ele.
“Quem?” perguntei.