PARTE 3
Diego não conseguia alcançar a pasta. Dom Manuel deu dois passos e parou entre ele e Mariana. Não empurrou, não gritou, não fez escândalo. Apenas ficou ali parado, vestindo o terno comprado a prestações, com o olhar de um homem que trabalhara a vida inteira carregando locomotivas, mas que jamais permitira que alguém pisoteasse sua família.
“Você não vai tocar na minha filha de novo”, disse ele.
Diego recuou. Pela primeira vez naquela tarde, seu sobrenome não lhe servia de nada.
Ximena fotografou cada documento com o celular. A coordenadora chorava de lado, repetindo que apenas cumpria ordens. Mariana respirou fundo e leu no microfone.
“Esta procuração autoriza a venda do meu apartamento em Querétaro. Este contrato estipula que o dinheiro será destinado ao Grupo Alarcón Construcciones. E aqui consta que concordo em ser responsável com meus bens pelas dívidas contraídas antes do casamento.”
“Esta procuração autoriza a venda do meu apartamento em Querétaro. Este contrato estipula que o dinheiro será destinado ao Grupo Alarcón Construcciones. E aqui consta que concordo em ser responsável com meus bens pelas dívidas contraídas antes do casamento.” A sala irrompeu em murmúrios. Uma amiga de Mariana perguntou em voz alta se aquilo era fraude. Um dos tios de Diego se levantou, constrangido. Dom Fernando, o pai do noivo, levou a mão ao rosto.
“É por isso que estavam com tanta pressa”, continuou Mariana. “Queriam que eu assinasse de vestido de noiva, nervosa, sem ler direito, com todos esperando lá fora e Diego me dizendo para confiar nele.”
Dona Lourdes apertou a bolsa contra o peito.
“Isso foi para proteger a família. A família.”
“Não”, disse Mariana. “Foi para salvá-lo das dívidas da minha casa.”
Então Ximena lhe entregou outra folha de papel. Eram e-mails impressos que ela havia encontrado semanas antes no computador de Diego, mas que Mariana não quisera ler porque tinha vergonha de desconfiar. Agora não havia mais espaço para vergonha.
Mariana leu:
“Mariana não suspeita de nada. Se conseguirmos convencê-la a vender o apartamento depois do casamento, cobriremos as despesas urgentes. Depois, diremos que foi para o bem de todos.”
Diego desabou.
“Eu estava desesperado. Meu pai podia perder a empresa. Minha mãe me pressionou. Eu não queria te magoar.”
“Mas você queria me usar”, respondeu Mariana. “Você não pediu minha ajuda. Você armou uma cilada para mim.”
Dona Teresa caminhou até o centro da sala, com as mãos trêmulas.
“Vendemos o pequeno terreno da minha mãe para ajudar com este casamento”, disse ela. “Fizemos isso porque acreditávamos que nossa filha estava entrando para uma família que a amava, não para uma que a via como um caixa eletrônico.”
Aquela frase doeu mais do que qualquer grito. Mariana olhou para os pais e entendeu como tudo era injusto. Eles haviam investido suas economias, seu trabalho e memórias de família em uma festa onde seriam escondidos ao lado da cozinha.
“Vendemos o terreno da minha mãe para ajudar com este casamento. Fizemos isso porque acreditávamos que nossa filha estava entrando para uma família que a amava, não para uma que a via como um caixa eletrônico.”
Aquela frase doeu mais do que qualquer grito. Mariana olhou para os pais e entendeu como tudo era injusto. Eles haviam investido suas economias, seu trabalho e memórias de família em uma festa onde estavam sendo escondidos ao lado da cozinha.” Dom Fernando finalmente falou.
“Mariana, eu sabia das dívidas. Não sabia das cadeiras nem que Lourdes usaria a procuração hoje. Mas eu fui um covarde. Deixei todos fingirem que ainda éramos uma família poderosa.”
Dona Lourdes o encarou com raiva.
“Fernando, cale a boca!”
“Não”, respondeu ele. “Isso acaba hoje. Você humilhou pessoas decentes porque precisava se sentir superior a alguém.”
O golpe final veio de Renata, a irmã mais nova de Diego. Ela se levantou chorando de uma mesinha lateral.
“Mãe, você disse que Mariana era ‘a saída fácil’. Eu pensei que você estivesse falando em pedir a pensão dela, não em tirar o apartamento dela.”