Quase um ano depois do desaparecimento do meu filho adolescente, vi um morador de rua entrar num café vestindo a jaqueta dele — a mesma que eu havia consertado. Quando ele disse que um garoto a havia dado a ele, eu o segui até uma casa abandonada. O que encontrei lá mudou tudo o que eu pensava saber sobre o desaparecimento do meu filho.
A última vez que vi meu filho de 16 anos, Daniel, ele estava no corredor calçando os tênis, com a mochila nas costas.
“Você terminou a lição de casa de história?”, perguntei.
“Sim, mãe.” Ele pegou a jaqueta, inclinou-se e me deu um beijo na bochecha. “Te vejo à noite.”
Então a porta se fechou e ele saiu. Fiquei na janela observando-o caminhar pela rua.
Naquela noite, Daniel não voltou para casa.
A princípio, não me preocupei. Às vezes, Daniel ficava até mais tarde na escola para tocar violão com os amigos, ou ia ao parque passar o tempo até escurecer. Ele sempre me mandava mensagem quando fazia isso, mas talvez o celular dele tivesse descarregado.
Eu repetia isso para mim mesma enquanto preparava o jantar, enquanto jantava sozinha, enquanto lavava a louça e colocava o prato dele no forno.
Mas quando o sol se pôs e o quarto dele ainda estava vazio, não consegui ignorar a sensação de que algo estava errado.
Liguei para o celular dele. Caiu direto na caixa postal.
Às 22h, eu estava dirigindo pelo bairro, procurando por ele. À meia-noite, eu estava sentada em uma delegacia para registrar o desaparecimento dele.
O policial fez perguntas, anotou tudo e finalmente me disse: “Às vezes, adolescentes desaparecem por alguns dias. Brigas com os pais, esse tipo de coisa.”
“O Daniel não é assim”, respondi. “O Daniel é gentil e sensível. Ele é o tipo de garoto que pede desculpas quando alguém bate nele.”
O policial me deu um sorriso compreensivo. “Vamos registrar a ocorrência, senhora.” Mas eu percebi que ele pensava que eu era apenas mais uma mãe em pânico que não conhecia o próprio filho. Eu jamais poderia imaginar o quanto ele estava certo.
Na manhã seguinte, fui à escola do Daniel.
A diretora foi gentil. Ela me deixou ver as imagens das câmeras de segurança que cobriam a entrada principal.
Sentei-me em uma pequena sala e assisti ao vídeo da tarde anterior.
Grupos de adolescentes saíam do prédio em massa, rindo, empurrando uns aos outros, checando seus celulares.
Então eu vi o Daniel passando por uma garota. Por um instante, não a reconheci. Então ela olhou por cima do ombro e eu pude ver seu rosto com mais clareza.
“Maya”, sussurrei.
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