As Sombras Interiores

O silêncio na sala da diretora já não era pesado; era sufocante. Era o tipo de silêncio que precede um deslizamento de terra, quieto, mas vibrando com a força da destruição que estava prestes a acontecer.

Encarei a tela do meu celular, as palavras me encarando: “Seu bebê não foi o primeiro.”

Minha respiração estava entrecortada. Olhei para cima e vi a tia Patrícia parada na porta. Eu nem tinha notado que ela entrara na sala. Ela estava encostada no batente, o rosto uma máscara ensaiada de preocupação, mas seus olhos estavam fixos no pen drive como se ela pudesse incendiá-lo com o olhar.

“Patrícia?”, minha mãe sussurrou, a voz embargada. “O que é isso? O que isso significa?”

Minha tia não olhou para minha mãe. Ela olhou para a Sra. Rebecca Rivas. Uma troca silenciosa e aterradora se passou entre elas, um olhar de conspiradoras fracassadas.

“Significa”, disse a diretora, sua voz recuperando o tom firme enquanto olhava para as páginas impressas na pasta, “que isso nunca foi apenas uma gravidez na adolescência. Foi uma conspiração predatória para encobrir o crime.”

O Pacto Revelado
A diretora virou a tela do laptop para a sala. O vídeo continuou. Vimos a tia Patricia pegar um envelope branco e grosso da Sra. Rebecca — não o amarelo que meu pai havia rejeitado, mas outro.

“Os pais da Valeria são teimosos”, sussurrou a voz gravada de Patricia pelos alto-falantes. “Mas ela é só uma criança. Ela bebe o que eu dou. Ela confia em mim. No final do mês, não haverá mais um ‘problema’ para o Mateo se preocupar.”

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