“E quem vai pagar por isso?”
Coloquei o contrato sobre a mesa.
“Seu pai. Com a conta secreta dele.”
Esteban empalideceu.
“Você não tem acesso a essa conta.”
“Não. Meu advogado pode solicitar que o tratamento dele seja coberto pelos próprios recursos. E até que isso seja resolvido, não farei mais plantões de 24 horas de graça.”
Cláudia verificou a cama do hospital, o cateter, os medicamentos e o caderno onde anotava minha escala.
“Sra. Brenda, a senhora estava fazendo isso sozinha?”
Assenti com a cabeça.
“Cinco anos.”
Ela me olhou com uma mistura de respeito e tristeza.
“Isso não é sustentável.”
Quase chorei.
Não por Esteban.
Por mim.
Porque bastou uma única frase de uma estranha para confirmar o que eu vinha negando a mim mesma há anos.
Não era sustentável.
Não era amor.
Era exaustão disfarçada de virtude.
O IMSS (Instituto Mexicano de Seguro Social) possui até documentos que descrevem como os cuidadores auxiliam em atividades básicas como alimentação, banho, vestimenta, transferência e uso do banheiro, e eu fazia tudo isso incansavelmente, sem receber nada em troca e sem gratidão.
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