Isaiah Mitchell acordava todas as manhãs antes do amanhecer, não por disciplina, mas porque o sono já não lhe fazia efeito.
Sua cobertura tinha vista para o Lago Michigan, e em manhãs claras a água captava a luz de forma tão perfeita que parecia menos um lago e mais uma folha de ouro martelado.
Outras pessoas adoravam a vista.
Ele apertava o botão, ouvia o zumbido mecânico baixo e saía antes que o café terminasse de ser preparado.
Era assim que ele lidava com a maioria das coisas que deveria lhe dar prazer.
Ele as iniciava.
Ele as adquiria.
Ele as deixava intocadas.
Seu apartamento era imaculado de uma forma que parecia menos impressionante do que inquietante.
Sem fotografias.
Sem lembranças.
Sem diplomas emoldurados.
Sem história visível.