Minha família pegou minha filha de 11 anos e cortou o cabelo dela bem no meio de uma festa… só porque ela “brilhou mais que a aniversariante”. Eles riram enquanto ela chorava e implorava para que parassem. Mas no dia seguinte, eram eles que estavam chorando na frente da polícia.

“Se sua filha queria se exibir, então que aprenda a não ofuscar a aniversariante”, disse minha mãe, como se tivesse acabado de justificar o injustificável.

Cheguei à casa da minha irmã Marisol por volta das oito da noite. Vinha de um longo plantão no Hospital Geral de Querétaro, com os pés inchados, o uniforme amassado e a culpa pesando no peito por não ter podido acompanhar minha filha Sofía à festa da prima dela, Valeria.

Valéria estava completando doze anos. Sofía, onze.

Naquela manhã, antes de sair, Sofía estava feliz. Ela tinha acordado cedo, tomado banho, escolhido seu vestido amarelo e me pedido ajuda para arrumar o cabelo. Seu cabelo era longo, cacheado e lindo. Para ela, não era vaidade. Era algo que ela cuidava com carinho, como alguém que cuida de uma parte de si mesma.

Na noite anterior, eu a levei a um salão de verdade, não à barbearia da esquina onde sempre faziam cortes irregulares. Paguei mais do que podia, mas quando ela se viu no espelho com seus cachos definidos, uma trança lateral e pequenas pérolas prendendo o penteado, soube que valeu cada centavo.

“Você acha que a Vale vai gostar?”, ela me perguntou.

“Você está linda, meu amor. Claro que ela vai gostar.”

Ela também tinha um presente que ela mesma havia feito: uma caixinha decorada com glitter, cheia de pulseiras que ela havia trançado durante a semana.

Deixei-a na casa da Marisol, confiando nela. Ela era minha família. Minha mãe, Carmen, meu pai, Ernesto, minha irmã, meus sobrinhos. O que poderia dar errado?

Quando cheguei para buscá-la, a porta se abriu e Sofía saiu.

Por um segundo, não a reconheci.

Seu cabelo tinha sumido. Não era mais como antes. O cabelo dela estava cortado com tesoura, de forma irregular, com mechas chegando até o queixo e outras quase tocando as orelhas. Parecia que alguém o tinha rasgado num acesso de raiva.

Ela caminhava com os olhos fixos no chão. Seus olhos estavam vermelhos, sua respiração ofegante e suas mãos agarradas ao vestido.

“Sofia… o que aconteceu?”

Ela tentou sorrir, mas seu rosto se contorceu em desgosto.

“Cortaram, mãe.”

Senti como se o mundo tivesse escurecido.

“Quem?”

“Minha avó… e a tia Marisol.”

Eu a abracei enquanto ela chorava em meu peito. Ela disse que queria ir para casa, mas algo dentro de mim se gelou.

“Ainda não.”

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