Parte 2: Os Herdeiros Não Convidados de Donn Fosse

Ethan deu um passo à frente, com a voz embargada. “Clara… por favor. Esses são meus filhos? Por que você não me contou? Podemos consertar isso. Podemos ser uma família…”

“Ethan, há cinco anos você escolheu sua mãe e o dinheiro dela”, eu disse friamente. “Agora você não vai ter uma família só porque sua conta bancária está vazia.”

Marcus, meu advogado, parou ao meu lado e me entregou uma elegante pasta de couro.

“Muito bem”, eu disse, dirigindo-me à família Montgomery, que estava abalada e tremendo, “como proprietária legal desta propriedade, tenho todo o direito de chamar a polícia e despejar todos vocês por invasão de propriedade. Eu poderia acabar com este casamento aqui mesmo, agora, e deixar a imprensa ver vocês arrumando as malas no noticiário da noite.”

Eleanor engasgou, levando a mão ao peito. Ethan parecia completamente derrotado.

“Mas”, continuei, um sorriso lento e perigoso se espalhando pelos meus lábios, “sou uma mulher razoável. Estou disposta a conceder a ela um contrato de aluguel temporário de vinte e quatro horas para que ela possa terminar esse casamento ridículo e desocupar o local sem intervenção policial.”

“O que você quer, Clara?”, perguntou Ethan, com a voz oca. “Qual é a pegadinha?”

Abri a pasta de couro, revelando uma pilha grossa de documentos referentes à guarda e reestruturação da herança.

“Quero duas coisas”, disse, baixando a voz para um sussurro que só os três podiam ouvir. “Primeiro, quero que Eleanor assine uma renúncia completa e legalmente vinculativa de quaisquer direitos futuros como avó ou qualquer contato com meus filhos. Ela nunca os verá, nunca falará com eles e nunca herdará um centavo do futuro deles.”

Eleanor olhou para mim como se eu a tivesse esfaqueado.

“E segundo?”, perguntou Ethan, com as mãos tremendo.

Olhei para ele, depois para os documentos e, em seguida, para um carro preto que acabara de parar perto da porta; Um carro onde estava sentado um homem cujo rosto fez o sangue de Ethan gelar. Um homem que guardava o único segredo que a família Montgomery tentara tanto esconder por trinta anos.

Inclinei-me para Ethan, minha voz um sussurro de puro veneno.

“Segundo… você vai me contar a verdade sobre o que aconteceu com meu pai trinta anos atrás, nesta mesma casa. Porque se você não contar…” Gesticulei em direção à porta, por onde o homem misterioso saía do carro. “…ele vai contar.”

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