“Você está indo longe demais”, disse ele, irritado. “Minha mãe estava só brincando.”
“Não era brincadeira”, respondi. “Era uma apresentação.”
“Camila não significa nada.”
“Então diga para Camila ir embora”, eu disse. “E diga para sua mãe se desculpar comigo.” Alejandro ficou em silêncio.
Aquele silêncio foi a resposta.
As semanas seguintes foram um choque de realidades. Patricia tentou invadir minha casa “para pegar as coisas do Alejandro”. Troquei as fechaduras. Alejandro tentou sacar dinheiro de uma conta conjunta. Lucía bloqueou as transações com notificações do banco. Patricia ligou para o meu trabalho, insinuando que eu era “difícil”. Fiz um pedido formal para que não atendessem ligações pessoais sobre minha vida privada. Não era drama; era autodefesa.
A coisa mais inesperada foi Camila. Ela me escreveu um e-mail curto e educado:
“Valeria, sinto muito por aquela noite. Eu não sabia que era assim. Decidi me afastar.” Não respondi imediatamente. Não por ressentimento, mas porque senti pena dela: Camila também havia sido usada como instrumento. Mas, ao contrário de Patricia, ela tivera um momento de lucidez.
Quando finalmente nos sentamos para a mediação, Alejandro chegou com seu advogado, o maxilar cerrado. Patricia não pôde entrar, mas ficou no corredor; eu sabia porque a vi refletida no vidro. Seu sorriso “controlado” já não era tão confiante.
A mediadora falou em divisão, em prazos, em acordos. Eu falei em respeito. Alejandro tentou se fazer de vítima de uma mulher “fria”.
“Valeria nunca foi afetuosa”, disse ele. “Era como viver com uma empresa.”
Olhei para ele e pensei em todos os Natais que organizei, nos presentes que comprei para sua família, nos jantares em que sorri apenas para sobreviver.
“Se eu sou uma empresa”, respondi, “você é um funcionário que queria o cargo sem fazer o trabalho.” O mediador tossiu, desconfortável. Mas Alejandro baixou o olhar. Porque sabia que não era uma expressão gentil; era um resumo.