Eu não assinei.
Naquela noite, dormi com uma cadeira encostada na porta.
Nem sabia porquê.
Talvez porque, quando uma mulher é humilhada o suficiente, qualquer som comece a parecer perigoso.
No dia seguinte, fui sozinha ao ultrassom.
Usei um vestido folgado.
Penteei o cabelo.
Passei batom, embora meus lábios estivessem tremendo.
Não por Diego.
Por mim.
Pelo bebê que não tinha feito nada de errado.
A clínica cheirava a álcool, talco e medo.
O Dr. Salinas me cumprimentou gentilmente.
Alguém veio com você?
Neguei com a cabeça.
“Meu marido diz que este bebê não é dele.”
O médico não me julgou.
Não fez careta.
Simplesmente pediu que eu me deitasse.
O gel estava frio.
A tela acendeu.
Prendi a respiração.
Primeiro, uma sombra.
Depois, um pontinho minúsculo se movendo.
Então, uma batida do coração.
Forte.
Rápida.
Viva.
Cobri a boca e chorei.
“Olá, meu amor”, sussurrei.
O Dr. Salinas sorriu levemente.
Então, moveu o transdutor novamente.
Seu sorriso desapareceu.
Ele franziu a testa.
Aumentou a imagem.
Verificou a data da minha última menstruação.
Então, olhou meu prontuário médico.
“Sra. Laura… quando a senhora disse que seu marido fez vasectomia?”
Congelei.
“Dois meses atrás.”
Ela não respondeu imediatamente.
Aumentou a imagem novamente.
A batida do coração ainda estava lá.
Mas havia algo mais.
Algo fez o médico parar e ficar sério.
“O que houve?” Perguntei, tentando me sentar. “Meu bebê está bem?”
A médica baixou a voz.
“Seu bebê está bem. Mas preciso que você ouça com atenção.”
Nesse instante, a porta se abriu sem permissão.
Diego entrou, com Paola logo atrás.
“Perfeito”, disse ele. “Agora a médica finalmente pode me dizer de quantos meses está o bebê desse outro homem.”
A Dra. Salinas se virou lentamente para ele.
Olhou para Paola.
Depois, olhou de volta para a tela.
E então disse:
“Sr. Diego, antes de acusar sua esposa novamente… o senhor precisa ver o que está nesta tela.”