Ela estava na cozinha, tomando café, como se nada no mundo pudesse quebrar aquela falsa calma. -olweny

“Laura”, disse ela suavemente. “Meu filho me contou tudo. Foi um terrível mal-entendido.”

Mal-entendido.

Senti os bebês se mexerem, embora ainda fosse muito cedo.

Talvez não fossem eles.

Talvez fosse minha raiva.

“Você me chamou de desgraça.”

Ela baixou o olhar.

“Diego me machucou.”

“Eu estava grávida.”

“Nós não sabíamos.”

“Eles não queriam saber.”

Ela apertou as flores contra o peito.

“São meus netos.”

Encarei-a por um longo tempo.

“Há poucos dias, eles eram apenas uma mancha na minha barriga.”

Ela empalideceu.

“Não seja cruel.”

“Estou aprendendo com você.”

Fechei a porta.

Ouvi-a chorar lá fora por um tempo.

Não abri a porta.

Naquela noite, contratei a advogada que minha mãe havia recomendado. Seu nome era Irene Robles, uma mulher na casa dos cinquenta, com um olhar penetrante e unhas pintadas de vermelho. Quando ouviu minha história, não demonstrou surpresa. Simplesmente fez anotações.

Você assinou algum documento sobre a vasectomia?

“Tenho mensagens. Ele me disse que faria o procedimento porque não queria mais filhos ‘por enquanto’, mas que veríamos o que aconteceria depois.”

“Você compareceu à consulta de retorno?”

“Não.”

“Você tem provas do relacionamento com Paola?”

Mostrei a ela as fotos, as postagens, as mensagens antigas em que ela me chamava de “Lauri” e, em seguida, a foto do restaurante.

Irene ergueu uma sobrancelha.

“Que patroa educada!”

“Muito.”

“Certo. Vamos responder ao pedido de divórcio dela. E vamos solicitar medidas para protegê-la financeiramente durante a gravidez. Também vamos documentar a difamação, o abandono e a pressão que ela exerceu para que assinasse um acordo abusivo.”

“E os bebês?”

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *