Ela estava na cozinha, tomando café, como se nada no mundo pudesse quebrar aquela falsa calma. -olweny

O segundo bebê.

O rosto de Diego.

O rosto de Paola.

Minha mãe ouviu com a calma de mulheres que já presenciaram injustiças demais relacionadas a sapatos masculinos.

Quando terminei, ela pôs água para o chá.

“Agora você vai fazer três coisas”, disse ela.

“O quê?”

“Comer, dormir e ligar para um advogado.”

“Mãe…”

“Não me olhe assim. Aquele homem já te mostrou o que faz quando se sente encurralado. Você não está sozinha, mas também não vai andar descalça sobre cacos de vidro.”

No dia seguinte, Diego começou a ligar.

As primeiras dez vezes.

Depois, vinte.

Depois das mensagens.

“Me perdoe.”

“Eu errei.”

“Paola não significa nada.”

“Eu estava confuso.”

“São meus filhos.”

“Meus filhos.”

A frase me embrulhou o estômago.

Os mesmos bebês que, na semana anterior, haviam sido a prova da minha infidelidade, agora eram dela, porque um aparelho no consultório médico havia restaurado seu orgulho.

Não respondi.

Ao meio-dia, a mãe dela chegou.

Dessa vez, ela não carregava sacolas pretas.

Ela carregava flores.

Rosas brancas, como as que se veem em hospitais ou funerais.

Abri a porta, que ainda estava trancada com a corrente.

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