“Vim lhe entregar seu presente de casamento”, respondi.
“Presente? Você não tem mais nada.”
Olhei para ele com uma tristeza que me consumia por dentro.
“Ah, Diego. Você pegou o dinheiro do meu supermercado, não minha fortuna. E sobre o apartamento… me diga, você já entregou as chaves ao comprador?”
“Sim. Ele me deu trezentos mil pesos de entrada hoje de manhã. Por quê?”
Esbocei um sorriso.
“Porque aquele apartamento não é meu, filho. Pertence a uma holding familiar. A procuração que você pegou comigo no hospital não é válida para a venda. Você vendeu algo que não lhe pertence.”
Senti o sangue fugir do rosto dele.
“O quê… o que você está dizendo?”
“Que o comprador vai tentar registrar a transação e descobrir que caiu em um golpe. Que você falsificou uma autorização. Que você se aproveitou de uma mulher doente. E que, legalmente, isso se chama fraude.”
Vanessa se aproximou, irritada.
“O que está acontecendo? O que essa mulher está fazendo estragando a cerimônia?”
Olhei para ela calmamente.
“Aproveite a festa, querida. Porque a lua de mel não será em Paris.”
Nesse momento, as portas do salão se abriram.
Não eram os garçons com o jantar.
Eram dois detetives, um escrivão e meu advogado.
A música parou.
Os convidados começaram a murmurar.
Um dos policiais caminhou direto até Diego.
“Diego Villaseñor? Você está preso por seu provável envolvimento nos crimes de fraude, falsificação e abuso de confiança.”
Vanessa gritou.
“Isso é impossível! Somos pessoas boas!”
“Isso não isenta ninguém da lei”, respondeu o policial.
Diego olhou para mim com puro terror.
“Mãe, por favor. Diga a eles que foi um mal-entendido. Diga a eles que você ia me entregar.” Diga a eles que você me deu permissão.
A sala inteira olhou para mim.
E naquele instante, eu soube que uma mãe pode se quebrar em silêncio e ainda assim se manter de pé.
Fui até ele, segurei seu rosto entre minhas mãos e sussurrei:
“Eu te amo, Diego. Mas eu não te dei aquele apartamento. Eu não te autorizei a esvaziar minhas contas. Eu não permiti que você traísse minha confiança. E se eu te salvar hoje, te condeno para sempre a permanecer um covarde.”
Ele começou a chorar.
A polícia o algemou na frente de trezentos convidados.
Vanessa o viu, entendeu que dinheiro não existia, e seu amor evaporou como perfume barato.
“Você é um idiota!” ela gritou, batendo nele com o buquê. “Você me disse que era rico. Você me disse que sua mãe não fazia parte da sua vida. Eu não vou me casar com um criminoso!”
Ele arrancou a aliança e a jogou no peito dela.
O casamento terminou ali mesmo.
Os convidados saíram cochichando. Os fornecedores reclamaram. O bolo permaneceu intocado, como um monumento à ambição. Fiquei sozinho por um instante, em meio àquele luxo fútil, com o coração partido, mas estranhamente em paz.
Nos meses seguintes, tudo desmoronou para Diego. O comprador o processou. O banco investigou suas transações. Os fornecedores do casamento entraram com ações judiciais por falta de pagamento. Como ele não tinha bens reais, as dívidas se acumularam. Consegui um advogado para ele, sim, mas um honesto, não um fazedor de milagres.
Ele foi condenado a vários anos de prisão.
As primeiras visitas à prisão foram terríveis. Na primeira vez, ele se recusou a me ver. Na segunda, disse que eu havia arruinado sua vida. Na terceira, permaneceu em silêncio. Na quarta, parecia mais magro, menos arrogante, com um olhar cansado.
“Vanessa não veio, não é?”, perguntou ele.
“Não, filho. Ela está com outro empresário agora.”
Ele riu amargamente.
“Eu fui um idiota.”
“Sim”, respondi, sem crueldade. “Mas você ainda pode deixar de ser um.”
Ele baixou a cabeça.
“Você vai me perdoar algum dia?”
Suspirei.
“Eu já te perdoei. É exatamente por isso que não te salvei. Quero que você saia daqui como um homem, não como um pirralho mimado de terno caro.”
Ele chorou.
E pela primeira vez em muitos anos, vi meu verdadeiro filho por trás de toda aquela vaidade.
O tempo passou.
Recuperei meus quarenta e tantos mil pesos porque o banco reconheceu a fraude. Continuei morando no meu apartamento à beira-mar. Fiz pilates, viajei com amigos e retomei minhas aulas de pintura. Mas, ao contrário de antes, não vivia mais esperando ser necessário. Aprendi a me amar primeiro.
Três anos depois, Diego foi libertado da prisão em liberdade condicional. Fui buscá-lo pessoalmente.
Ele estava mais magro, sem seu relógio caro, sem sua arrogância habitual, carregando uma sacola de roupas e com imensa vergonha nos olhos. Entrou no carro e não disse uma palavra por vários minutos. Quando finalmente falou, sua voz embargou.
“Mãe… se você ainda me permitir… eu gostaria de recomeçar.”
“Isso depende de você, Diego.”
Ele me olhou como uma criança voltando da tempestade.
“Consegui um emprego na defensoria pública da prisão. Eles querem que eu fique lá ajudando pessoas que não podem pagar um advogado. Não ganho muito. Mas, pela primeira vez… sinto que estou fazendo algo de verdade.”
Virei-me para olhá-lo.
Ele não era o mesmo.
“Seu pai ficaria orgulhoso de ouvir você dizer isso.”
Diego caiu em prantos.
Naquela noite, ele jantou na minha casa. Não pediu dinheiro. Não pediu as chaves. Não perguntou sobre heranças. Ele pediu minha bênção.
Eu lhe dei.
Não.