Dois dias depois de ter pago o casamento do meu filho, o gerente do restaurante ligou e disse para eu não colocar a chamada no viva-voz.
Foi assim que percebi que algo estava errado.
Tony Russo administrava o Gilded Oak há anos. Ele lidava com executivos arrogantes, noivas caprichosas, funcionários públicos furiosos e homens ricos que se achavam intocáveis. Tony não se intimidava facilmente. Então, quando sua voz tremeu, prestei atenção.
“Sr. Barnes”, disse ele baixinho, “por favor, não coloque a chamada no viva-voz. O senhor precisa vir sozinho. E, seja o que for que faça, não conte para sua esposa.”
Eu estava sentado à mesa da cozinha, olhando para o café frio, enquanto minha esposa, Beatrice, colocava lírios brancos na pia. Ela parecia serena, dedicada, exatamente como todos pensavam que ela fosse.
“Chego aí em 20 minutos”, eu disse.
Beatrice se virou. “Quem era?”
“A farmácia”, menti. Algo sobre a minha receita de remédio para pressão alta.
Seus olhos se estreitaram ligeiramente. Eu não teria notado ontem. Esta manhã, parecia um cálculo.
No restaurante, Tony me levou à sala de segurança no subsolo e me mostrou as imagens gravadas no lounge VIP depois do casamento.
Na tela, Beatrice entrou, forte e elegante, sem a fragilidade que às vezes demonstrava na igreja. Em seguida, Megan, minha nova nora, entrou, vestindo seu vestido de noiva.
Beatrice serviu champanhe.
“Ao homem mais burro de Atlanta”, disse Megan.
Beatrice riu.
“A Elias”, respondeu ela. “A galinha dos ovos de ouro.”
Agarrei a cadeira com força.
Então, elas falaram sobre vender a casa no lago que eu havia dado ao meu filho e usar o dinheiro para pagar as dívidas de Megan e comprar um apartamento em Miami. Falaram sobre o fundo fiduciário da minha família, aquele que liberaria milhões quando um neto biológico nascesse.
Então, Megan tocou a barriga e riu. “Terrence acha que o bebê é dele. Ele nem sabe fazer contas.”
Beatriz a avisou para não me deixar exigir um teste de DNA.
Senti um aperto no peito.
Então Megan me perguntou quando eu “finalmente me aposentaria”.
Beatriz tomou um gole de champanhe.
“Em breve”, disse ela. “Troquei o remédio para o coração dele há três semanas. Tenho adicionado digoxina triturada aos smoothies matinais dele. Um dia ele vai dormir e não acordar mais. Aí será tudo nosso.”
O clima ficou tenso.
Por quarenta anos, essa mulher rezou antes das minhas refeições, segurou minha mão nos hospitais e sorriu para mim nas mesas de café da manhã.
E todas as manhãs, ela me envenenava.
Então veio o golpe final.