PARTE 2
Nos meses seguintes, vivemos numa espécie de segredo feliz.
Walter e eu sabíamos que, se alguém nos contasse a nossa história, também não acreditaríamos.
Mas lá estávamos nós.
Ele me acompanhando em todas as consultas médicas.
Eu o obrigando a comer menos bolo.
E nós dois evitando falar sobre os sobrinhos dele, como se mencioná-los pudesse arruinar a paz que finalmente havíamos encontrado.
No entanto, a notícia da gravidez logo chegou até eles.
E quando chegou, foi como jogar gasolina no fogo.
Certa tarde, encontrei três SUVs estacionadas em frente à casa de Walter.
Os sobrinhos dele estavam na varanda.
Todos eles.
Até mesmo aqueles que não o visitavam há anos.
Quando me viram sair do carro, suas expressões mudaram.
Não havia preocupação.
Nenhum afeto.
Apenas cálculos.
“Isso deve ser uma piada”, disse Richard, o mais velho.
“O quê?”, perguntei.
“A gravidez.”
Walter apareceu atrás de mim.
“Não é piada.”
“Você tem oitenta anos.”
“Eu sei. Eu mesmo contei.”
Tive que conter um sorriso.
Richard não.
Ele parecia prestes a explodir.
“Ela está te manipulando.”
“Não.”
“Ela quer o seu dinheiro.”
“Não.”
“Ela quer a casa.”
Walter colocou a mão no meu ombro.
“Vocês são os únicos que estão falando dessa casa há dois anos.”
Um silêncio se instalou imediatamente.