Aos sessenta e dois anos, eu acreditava que meu marido podia me humilhar o quanto quisesse, porque o preço para deixá-lo era a minha saúde.
Essa foi a sentença com a qual convivi por um ano. Não se tratava de casamento. Nem de parceria. Nem mesmo de traição. Era simplesmente um cálculo duro e prático: se eu pedisse o divórcio, perderia o plano de saúde que cobria os medicamentos biológicos e outros remédios que mantinham minha doença autoimune sob controle. Sem esses medicamentos, minhas articulações inchariam tanto que eu mal conseguiria segurar uma xícara de café. Meus pulmões poderiam ser afetados. Meus rins poderiam ser afetados. Eu sabia perfeitamente o quanto era caro me manter viva, porque lia cada explicação de benefícios que chegava pelo correio.
Então, quando meu marido, David, com quem fui casada por quarenta anos, me disse que estava se encontrando com outra mulher havia oito meses e que não tinha intenção de terminar o relacionamento, fiz algo de que ainda me envergonho de lembrar. Implorei a ele.
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