O verão de 1856 chegou a Nova Orleans como uma febre que se recusava a ceder. Um ar denso e úmido pairava sobre a Avenida St. Charles, onde as mansões mais grandiosas se erguiam como monumentos brancos à riqueza derivada do algodão, do açúcar e do sofrimento humano. Entre elas, a propriedade Bowmont se erguia por três andares, suas colunas coríntias reluzindo sob o sol escaldante da Louisiana, e seus jardins meticulosamente cuidados por mãos que jamais tinham permissão para descansar.
Charles Bowmont era dono de metade do comércio de algodão entre Nova Orleans e Liverpool. Seu banco detinha hipotecas sobre plantações de Baton Rouge a Natchez. Homens com títulos de propriedade e terras imploravam por uma audiência. Mas era sua esposa, Elellanena, o verdadeiro segredo daquela casa.